A CONSPIRAÇÃO FRANCISCANA (The Franciscan Conspiracy) – John Sack

Publicado: 22 de janeiro de 2011 em Autores que não são escritores de Thrillers, John Sack
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“Caso Satã existisse, o futuro da ordem fundada por São Francisco lhe proporcionaria um prazer extraordinário.” Bertrand Russel, comentando sobre como a ordem se tornou corrupta.
Compari della Tomba – Fraternidade criada no século XIII para proteger o segredo do local onde estariam enterrados os ossos de São Francisco de Assis.
Essa eu não sabia – a irmã de Francisco de Assis, Clara, foi a fundadora de seu braço feminino – As Damas Pobres, tornando-se, mais tarde, Santa Clara, dedicando-se a uma vida de pobreza, com mais determinação do que os frades franciscanos, até que sua Ordem fosse oficializada pelo Papa da época.
Esse livro, pelo visto e lido, até agora, tem tudo para me interessar bastante – história medieval, religião e pergaminhos/iluminuras/segredos criptografados.
Surge uma mensagem em rolo de papel – um material revolucionário, para a época, trazido da Espanha, pelos Mouros.
Legal – nem bem acabei de ler “A última traição de Judas”, de James Rollins, que tinha, como personagem, Marco Pólo, e ele aparece aqui, neste livro, ainda jovem aprendiz de seu pai e tio, mercadores venezianos; em missão encomendada pelo Kublai Khan.
O Mosteiro de Santo Ubaldo era o proprietário da maioria das terras aráveis e das florestas nos arredores da região de Gubbio, na Itália. Na época, os monges agiam como senhores feudais, protegendo seus domínios contra invasores e predadores, fortemente armados, com montarias de guerra, matilhas de cães e carregando cruzes cravejadas de pedras preciosas. As refeições, nesses mosteiros, ao invés de frugais, num ambiente severo, constavam de numeras bandejas de porco assado e fatias de queijo, com pão branco (reservado para nobres). Taças de vinho ficavam sempre cheias, animadas por uma algazarra festiva, que abafava, por completo, a voz do leitor do ofício litúrgico que acompanhava a refeição, que era observada, com atenção, pelos cães da casa, ansiosos pelos restos que lhes seriam atirados depois.
Gente – que quarto era esse do abade Vittorio? Cama com dossel, tapeçarias nas paredes, acolchoado e travesseiros de penas de ganso. Como era bom ser um religioso católico, naquela época…

“Os rituais religiosos só existem para intensificar a devoção dos camponeses. Por serem analfabetos, não tem condição de se inspirar nas escrituras, como fazem os clérigos que estudaram. Os crentes precisam de uma imagem ou um espetáculo que os congregue e revigore a fé adormecida.” John Sack – e isso é até hoje, não é mesmo?

As nobildonnas – essas senhoras aristocráticas e pálidas, somente saíam às ruas, para a missa de domingo, temerosas de sujarem de lama as esplêndidas caudas de seus vestidos. Somente as servas e as mulheres do povo eram vistas em público, regularmente. – tinham que ser pálida, não é mesmo? Não tomavam sol…
Realmente, tenho de concordar com a personagem Amata – os frades franciscanos, na época, eram bastante esquisitos: como podiam conversar sobre experiências, quando passavam o tempo todo isolados nos seus próprios mundos?
Exemplo de virtude – Donato, o banqueiro, era um homem rico que doou tudo o que tinha para os pobres, quando teve uma epifania. Além disso, vendeu a si mesmo como escravo e deu o valor de sua escravidão para os pobres. – nunca soube de nada parecido.
Exemplo de justiça – Os moradores de uma cidade penduraram um sino para os queixosos tocarem, quando se sentissem tratados injustamente. Com o passar dos anos, a corda do sino arrebentou e alguém o amarrou a uma árvore. Um homem que não queria mais gastar dinheiro com o sustento de seu velho cavalo, largou-o fora da cidade. O cavalo estava tão faminto que comeu a árvore e o sino começou a tocar. Os moradores da cidade concluíram que o animal havia reivindicado o direito de ser ouvido. Depois de muito estudarem o caso, decidiram que o tal homem ficaria obrigado a alimentá-lo durante toda sua vida, sob ameaça de tortura caso não o fizesse. – essa eu gostei…

As pessoas conheceram Francisco de Assis, como um santo jovial, que andava cantando pelas estradas. Mas quase ninguém conheceu as profundezas de seus sacrifícios expiatórios, quando passava fome, frio, voluntariamente; e forçava-se a vigílias insones.
Quando o cardeal Ugolino foi eleito Papa, mantinha como prisioneiro, no palácio papal, praticantes de alquimia e de adivinhações, interpretadores de sonhos – ao seu dispor.

Imaginem: fala do irmão Conrad, ao receber o convite para desfrutar de um banho de banheira: “Madonna deve ter ouvido falar da depravação e perversão do banho. Uma alma fraca pode sentir-se tentada a deleitar-se com a água quente, entregando-se à sensualidade de sua fluidez, conta a pele…”

São Francisco desaconselhava o aprendizado para seus filhos espirituais, acreditando ser desnecessário para salvar sua alma e perigoso, porque poderia resultar em orgulho intelectual.

“Il Poverello – o pobrezinho de Deus – como Francisco de Assis era chamado, carregava, em seu corpo, assombrosos sinais: as cinco chagas e estigmas de Cristo – mãos e pés, perfurados; o flanco do tórax aberto, com feridas sangrando, o tempo todo.”

As Cruzadas cristãs, que invadiram Bizâncio, queimaram casas, atiraram restos mortais de santos em latrinas, arrancaram e venderam pedras preciosas de peças religiosas, usaram cálices sagrados como taças de bebida. Entraram com cavalos nos templos, conspurcando-os com sangue e excrementos. Não pouparam nem as criadas, nem as virgens consagradas. – tudo em nome de Deus.
Artigo de Aristóteles que descreve a natureza imperfeita das mulheres: “a fêmea é um homem deformado, pois a força ativa da semente do homem tende à produção da perfeição do sexo masculino; por outro lado, a produção da mulher decorre de um defeito na força ativa, que pode ocorrer até mesmo, por conta de um sopro de vento úmido.” – sem comentários…
As bruxas, acreditava-se, das prostitutas da cidade de Assis, misturavam poções do amor (uma mistura de sangue menstrual com ervas), na bebida dos homens. As grutas eram habitadas por gnomos, almas penadas de crianças que tinham morrido antes do batismo.  Todos sonhavam em capturar essas criaturas, pelo capuz vermelho, para forçá-las a mostrar seus tesouros escondidos. – essa era a mitologia da época católica.
Os padres e bispos, para conseguirem os “favores” das inocentes jovens do povoado, diziam que “se uma menina desse sua virgindade para um homem da Igreja, como eles, garantiria casamento feliz e filhos saudáveis.

Entre as acusações feitas contra a esposa do Doge de Veneza, estavam: recusa-se a banhar-se em nossas águas, obrigando as criadas a coletar o orvalho; não se digna a comer carne com as mãos, da maneira costumeira, mas manda os eunucos picarem a carne em pequenos pedaços, que ela espeta com um instrumento de ouço com dois dentes, e os leva à boca. Eh,eh,eh – a insolência do primitivo uso do grafo…
Dentre os preceitos da etiqueta feminina da época: é indelicado coçar a cabeça à mesa, catar pulgas e outros insetos e matá-los diante dos outros, ou arrancar crostas de feridas de qualquer parte do corpo; cuide para manter o cabelo bem penteado e seu toucado limpo de penas e outras porcarias…

Lei do Eclesiastes: “(…) não se deixe ficar junto às mulheres. (…) Mais amarga que a morte é a mulher, (…) uma armadilha (…). Quem a grada a Deus, livra-se delas (…).”

Hagiografia – estudo da vida dos santos.
Então, São Francisco de Assis, tinha, na verdade, lepra?
Linda a descrição do momento da epifania do Frade Conrad, na prisão.

O trabalho das mulheres carpideiras, ao chorar seus mortos, rasgando suas roupas e arrancando os cabelos, é muito estranho, para a nossa sociedade atual, mas devia ser muito necessário na época.
Orfeo conta para Amata, a estória do velho Ala-al-Din, um seguidor de Ali, seguidor de Maomé, que morava num paraíso escondido num vale com uma passagem secreta. – seriam os nomes que deram origem a Alladin, seguidor de Ali Babá?
Usavam um certo narcótico chamado “hashishin”, que inebriava de prazer. Seus usuários foram chamados, assim, de assassinos, cujos atos homicidas fizeram com que essa palavra nos chegasse até hoje.

A prova de que o Imperador Frederico era o AntiCristo e que não respeitava os mandamentos de Deus ou os sacramentos da Igreja, era que ele banhava-se, diariamente, mesmo aos domingos.
Orfeo achava que o Papa faria bem se conseguisse acabar com a presença de prostitutas nos cantos mais escuros dos templos religiosos. – Cuma??? Os padres eram acusados de levarem as mulheres que vinham se confessar, para detrás do altar, acumulando filhos e filhas bastardos. As mulheres mais pias, preferiam a morte por suicídio, a continuarem a serem forçadas ao pecado, por seus confessores.
Dentre as inúmeras “relíquias de santos”, podia-se encontrar: dentes de leite do menino Jesus; cordão umbilical do menino Jesus; o Seu divino prepúcio, exibido em Festas da Circuncisão.
Uroscopia – pela cor da urina de uma pessoa, podia-se saber seu temperamento: vermelha e espessa: genioso; vermelha e fina: zangado; cada matiz de cor, correspondia a uma enfermidade.
Pelos médicos da época: tratamento tradicional para feridas – aplicação do calor de cães e gatos moribundos.
O frade Conrad teve certeza de que o caminho para Deus iria desaparecer em mistério de puro amor – “Deus é amor.”

John Sack

Formado em Língua Inglesa pela Universidade de Yale, John Sack nasceu em 1938, em Ohio, EUA. Na juventude, Sack passou dois anos sob a tutela de Thomas Merton em um mosteiro no Kentucky e, mais tarde, fez um retiro num ashram hindu em Gabeshpuri, na Índia. Sack trabalhou como redator nas áreas de computação e astrofísica. Ele é autor de livros técnicos de informática e também de The Wolf in Winter (O lobo no inverno), onde narra a trajetória de São Francisco de Assis quando era jovem. A pesquisa para um segundo livro, em que contaria a vida adulta do santo, o inspirou a escrever A conspiração franciscana.

Krauss, um Skoober, fez o seguinte comentário, em 10/01/2011: Clara não era irmã de Francisco, ela fazia parte de uma família rica da cidade. Eles eram amigos somente amigos.

– vou pesquisar…  e você?  Se sabe se Clara era irmã ou amiga de Francisco, responda com seu comentário…

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