O LIVRO PERDIDO DAS BRUXAS DE SALEM (The Physick Book of Deliverance Dane) – Katherine Howe

Publicado: 26 de fevereiro de 2011 em Autores que não são escritores de Thrillers
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Editora: Suma de Letras

“Só porque você não acredita em alguma coisa, não quer dizer que ela não seja real.”
1692 – Salem – Massachusetts – condado de Essex – Nova Inglaterra – Estados Unidos – uma histérica caça às bruxas, quando mais de 150 pessoas foram presas, 30 enforcadas. Uma comunidade marcada para sempre, pela desconfiança de que a pessoa ao lado poderia ser adepta da feitiçaria.
Marblehead, 1681 – As doenças, para os puritanos da nova Inglaterra, eram sinais de má vontade do Senhor, a vontade de Deus – sofrer era pecaminoso pois significava zangar-se com Deus. A Revolução Puritana foi um movimento surgido na Inglaterra no século XVI, de confissão calvinista, que rejeitava tanto a Igreja Romana como a Igreja Anglicana. Seus membros foram denominados puritanos porque pretendiam purificar a Igreja Anglicana, retirando-lhe os resíduos de catolicismo, de modo a tornar sua liturgia mais próxima do calvinismo. Desde o início, os puritanos já aceitavam a doutrina da predestinação. O movimento foi perseguido na Inglaterra, razão pela qual muitos deixaram a Inglaterra, em busca de outros lugares com maior liberdade religiosa. Um grupo, liderado por John Winthrop, chegou às colinas da Inglaterra na América do Norte em abril de 1630 (formando as colônias da Nova Inglaterra, nos Estados Unidos). Predestinação, é um conceito teológico, que trata do relacionamento de Deus e o homem, no sentido de que Deus consegue prever ou até decidir, previamente, os acontecimentos, no tempo e no espaço, utilizando de Sua absoluta soberania e onisciência – daí o conformismo dos puritanos, com a vontade de Deus.
Cenário da religião popular na Nova Inglaterra, no século XVII – A bruxa típica, era uma mulher de meia-idade, isolada na comunidade, por razões econômicas ou por não ter família – sem força social ou política. Eram culpadas por fazerem vacas adoecerem ou azedar o leite. Os indivíduos eram completamente impotentes diante da onipresença de deus e as ocorrências negativas eram o sinal da desaprovação divina. Culpar a bruxaria como bode expiatório, era preferível, a encarar a possibilidade de estar correndo risco espiritual. Os julgamentos dessas bruxas foram causados pela tensão entre populações religiosas rivais, inveja entre grupos familiares, e alucinações sofridas por adolescentes inconseqüentes depois de comerem pão bolorento (que pode causar efeito semelhante ao do LSD). De qualquer forma, foram a última explosão de histeria contra a bruxaria em toda a América do Norte.
O sotaque Brahmin, em que o “r” aparece e desaparece aleatoriamente, é relacionado às famílias da Nova Inglaterra, herdeiras dos pioneiros protestantes ingleses, que fundaram a cidade de Boston, no estado de Massachusetts.
Arlo, o cão de Connie, heroína da trama, desenterra uma estranha raiz no jardim da casa da avó – uma raiz de mandrágora. A raiz tem um formato peculiar, que se assemelha ao corpo feminino – peludo e gordinho – uma das plantas mais venenosas que existem, e que, de fato, emite um ruído parecido com um gemido, quando desenterrada. A ela são atribuídas propriedades medicinais: afrodisíaca, alucinógena, analgésica e narcótica. O uso da raiz da planta é muito antigo, encontrando-se citado nos textos bíblicos. Segundo lendas medievais, as raízes da mandrágora deveriam ser colhidas em noite de lua cheia, puxadas para fora da terra por uma corda presa a um cão preto; se outro animal ou pessoa fizesse esta tarefa, a raiz “gritaria” tão alto que o mataria. Seus frutos, semelhantes a uma pequena maçã, exalam um odor forte e fétido. Uma lenda reza que a mandrágora tinha como semente o sêmen de um homem enforcado. Essa planta também foi citada por Shakespeare em Romeu e Julieta, e acredita-se que o remédio que Julieta tomou para fingir estar morta tenha sido extraído dela. Também é citada em Harry Potter, e no filme O Labirinto do Fauno, onde uma mandrágora é usada para amenizar as complicações da gravidez da mãe da personagem Ofélia. Há, segundo vários estudos históricos/alquímicos/wiccanianos comprovados, uma outra e muito interessante função para a mandrágora.
Livro encontrado na biblioteca da avó de Connie: “A cabana do Pai Tomás” – toda casa antiga da Nova Inglaterra tinha um exemplar anunciando que aquela família estava do lado certo da Guerra Civil (o Norte contra a escravidão).
Os puritanos gostavam muito de usar as virtudes morais como nomes para suas filhas: Prudence (prudência), Mercy (compaixão), Chastity (castidade), Patience (paciência) Deliverance (libertação). A própria heroína do romance, Connie, chama-se Constance (permanência)…
Interessante – pelo menos no século XVII, as pessoas chamavam seus animais de estimação, não por nomes, como fazemos agora – e sim, pelo tipo de animal que era – Cachorro, Gato!
Já estava me perguntando quando se faria menção ao Malleus Maleficarum – aqui. A relação das bruxas e seus gatos pretos – dizem que eram demônios disfarçados de animais, que cumpriam as ordens da bruxa (chamados de espíritos familiares) – mas os gatos, na verdade, possuem seu próprio folclore – adorados no Egito e na Mesopotâmia, tidos como deuses no Tibet – quem sabe, na verdade, as bruxas é que eram espíritos a serviço deles.
Essa estória da vassoura da bruxa é uma coisa que eu já sabia – essas mulheres, para os rituais, tiravam toda a roupa e esfregavam no corpo (principalmente nos órgãos genitais) ervas alucinógenas, que as faziam “voar” – sair do corpo.
O Seio de bruxa encontrado durante a inspeção do corpo de Deliverance Dane, por suas vizinhas parteiras, tido como usado para amamentar diabinhos e espíritos familiares, era a prova física contra a acusada – na verdade, não passava de um terceiro mamilo, verruga, pinta, até mesmo o próprio clitóris.
Alguns sintomas dos supostos enfeitiçamentos, nada mais eram que envenenamento por materiais pesados, encontrados no dia-a-dia da época. O excesso de chumbo das panelas velhas causava ataques e acessos que podiam levar à morte.
Todas as companheiras de enforcamento, junto com Deliverance Dane – Sarah Wildes, Rebecca Nurse, Susannah Martin, Sarah Good e Elizabeth Howe – foram mulheres reais com dados corretos. Inclusive, a própria autora é descendente de uma delas – Elizabeth Howe.
Ao final, o maior feitiço, o “Feitiço Mais Eficaz”, mesmo no século XVII, era a chamada Prece ao Senhor – o nosso bom e velho Pai Nosso, dito com fervor, do modo antigo e direto das frases congregacionais (“perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores”).

Katherine Howe fala, neste video, sobre seu livro:

Katherine Howe

Katherine Howe vive em Marblehead, Massachusetts. Começou a escrever ficção enquanto elaborava sua tese de doutorado em Estudos da América e da Nova Inglaterra, na Boston University.  Howe e seu marido, o historiador de economia, Louis Hyman, são membros de um pequeno clube de escritores e acadêmicos de Cambridge que se reunem para debater idéias.  

Acompanhe a escritora Katherine Howe: http://katherinehowe.com/

Twitter: @katherinebhowe  http://twitter.com/#!/katherinebhowe

Facebook: http://www.facebook.com/katherinebhowe?ref=ts&sk=wall

AndyinhA, uma amiga Skoober, também resenhou o livro, em 11/06/2010: Ao contrario do que aconteceu em Sepulcro, onde a história fica indo e voltando no tempo, aqui voltamos no tempo acompanhando uma família de bruxas e alguns pontos importantes durante a história. Não fazendo que perca a magia e o mistério do presente, muito pelo contrario, isso acaba nos alimentando mais e mais de tal forma que ficamos preocupados se nossa personagem conseguirá seguir esses passos e ter o que deseja.  Nesse meio tempo surge Sam, um personagem bem interessante e o grande motivador de Connie para a busca do livro perdido. Junto com ela, ele irá explicar sobre algumas marcas e conceitos há muito perdidos, pois ele trabalha com restaurador e estudar o passado para melhor representá-lo faz parte de seu oficio e de certa forma muito importante na busca do livro.  Mais em: http://andyinha.blogspot.com/2010/06/poison-books-o-livro-perdido-das-bruxas.html
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