O VÉU – Luis Eduardo Matta

Publicado: 5 de março de 2011 em autores brasileiros, Luis Eduardo Matta
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Editora: Primavera Editorial

Retomando a temática do Oriente Médio, uma citação belíssima e sempre atual, de Omar Khayyam, que podemos encontrar no livro: “O Ontem já preparou este Hoje de loucura. O Amanhã, desespero ou calma ou triunfo esconde? (…) Não sabes de onde vens e porventura saberás por que vais e saberás para onde?” 

Inicio a leitura desse livro, encantada com a gentileza da dedicatória do autor, Luis Eduardo Matta.

“(…) e contemplava em silêncio, o mar reluzente, enquanto sorvia goles de um caríssimo uísque 21 anos – apesar de oficialmente proibido na Arábia Saudita (…)” – Eu já tinha visto isso no Egito – em casa de muçulmano ricos, não tem essa de não beber álcool.

Essa passagem me lembra quando, em viagem pelo Cairo, fazia frio, em fevereiro de 2007; e eu comprei todos os véus que tinha e que não tinha direito – Usava-os como proteção contra o vento cortante do deserto. Mas, ao entrar numa loja, felizmente, logo no primeiro dia, com a calefação interna, tirei o véu (era cor-de-rosa, me lembro bem). Pessoal, juntou gente protestando com meu marido – quase fui apedrejada. Sério – até explicar que eu era turista… Mas foi só dizer que era do Brasil para tudo ficar bem: Brasil, futebol, Ronaldinho…

Mais uma vez, devo elogiar o gosto artístico do autor: pelos nomes mencionados no leilão do quadro “O Véu”, como Daniel Senise, Ana Bella Geiger… E pela minuciosa descrição da Casa Quintanilha, em estilo neoclássico (teria sido projetada por Grandjean de Montigny?), com vitrais art nouveau (seriam de Eliseu Visconti?).

Adorei a passagem em que a personagem Araci tem um sonho vívido (uma projeção astral durante o sono) com seu sobrinho Lourenço, que parecia estar tranquilo do outro lado da vida – será que mostra a faceta espiritualista do autor?

Muito bem lembrado o episódio da fatwa contra o escritor Salman Rudshie (que até já veio ao Brasil, numa Bienal do Livro) – condenado à morte por este decreto religioso islâmico do aiatolá Khomeini, causado por sua polêmica obra: “Os Versículos Satânicos” (engraçado, eu me lembrava serem “versos” satânicos – qual o nome correto?).

Um dos personagens, dono de uma galeria de arte, odiava os urinóis de Marcel Duchamp e “os excessos de experimentalismos na arte contemporânea” – eu também!!! ainda bem que alguém me acompanha, mesmo que seja um personagem!!! odeio isso tudo!!! e não tenho vergonha de dizer – não preciso me fazer de intelectual e fingir que gosto desse tipo de arte.

No restaurante de Bartô, marido de Araci Quintanilha, nas paredes, viam-se reproduções de pinturas, como “As Bodas de Arnolfini”, de Van Eyck e outras de Jean Fouquet. Excelentes escolhas, para um ambiente madrigal do século XIII. Para maiores informações sobre o quadro de Von Eyck, acessem meu site e atentem para os comentários dos leitores: http://lilimachado.wordpress.com/2008/06/02/the-arnofini-wedding/  . Para ver o meu quadro favorito de Fouquet, “A Virgem e o Menino”, acessem o site: http://pt.wikipedia.org/wiki/D%C3%ADptico_de_Melun

Exemplo de comentário anterior – estilo artístico do protagonista do livro e autor do quadro, “O Véu”, Lourenço Monte Mor: hiper-realismo pictórico catártico polifigurativo – enfim, um ícone cult. – cuma???

He,he,he – é isso mesmo – nem bem o avião pousa, o pessoal se levanta, ignorando os avisos de não desatar os cintos, desesperados para sair logo da aeronave – Que estresse…

É verdade – apesar de não poderem exibir seus cabelos em público, as mulheres muçulmanas (ricas) cuidam muito bem deles, com cosméticos de valor exorbitante – cansei de vê-las de burca, inclusive, indo às compras, em magazines famosos em Paris.

Fala da personagem Mitra ao seu marido iraniano: “O que você quer? Uma mulher parada o dia inteiro dentro de casa, enquanto você me sustenta? Os tempos mudaram, (…) O Irã mudou. As mulheres estão conquistando espaço. E eu já conquistei o meu.” – as mulheres que até a queda do Xá Reza Pahlevi, viviam confinadas às cozinhas e leitos maritais, hoje se orgulhavam de estar entre as mais emancipadas do Oriente Médio. Elas estudam para trabalhar em numerosos ramos de atividades, de motoristas de ônibus a médicas, deputadas e ministras.

Interessante, as mulheres iranianas românticas mantinham sua literatura norte-americana de banca, repleta de sensualidade do tipo de Bárbara Delinski, escondida em sacos plásticos como embrulhos de presentes. Tá esquentando…

“(…) aos 23 dias do mês de Khordad, do ano de 1388 do calendário iraniano – décimo nono dia do mês de Jumada Al-Thani do 1430º ano da Hégira – dia 13 do mês de junho do ano de 2009 do calendário ocidental.” – ufffa!!!

“Araci havia optado por um visual sóbrio:” visual sóbrio? Qual é Luis? Qual a sobriedade de um broche em formato de pantera, com pérolas taitianas? Homens, ummpf!

O autor compartilha comigo, gostos pelos mesmos estilos artísticos: os mestres Rafael, Rubens, Vermeer (amooooooo), Ingres (adooooooro).

Vivendo e aprendendo – nunca havia sabido porque os brilhantes coloristas do início do século XX, como Matisse, tinham sido chamados de “fovistas” – a arte moderna das feras “fauves” em francês. O autor também demonstra gostos gastronômicos refinados, citando caviar Sevruga e Osetra – caviar no café da manhã? Ugh! – acho que estou ficando muito onomatopéica…

Geinteim! Quanto mais se lê, mais se sabe, mais se surpreende… – adorei saber sobre as festinhas que os adolescentes islâmicos, organizam, em segredo, completamente ocidentais, burlando a polícia religiosa Komiteh. He, he, he – até Macarena… O que me faz pensar: Terá o autor participado de alguma?

Tá esquentando, mas como uma pitada de melodrama mexicano… De dona de casa de leilões a agente 007? Araci Quintanilha mostra suas garras.

Não estou mais me entendendo com os personagens do livro – é muito nome estranho, muitas identidades falsas, muitas cidades e países diferentes. Dá para montar um infográfico para facilitar a vida do leitor e da resenhista que vos escreve?

Será que o autor se esqueceu de um pequeno detalhe? Hoje em dia, qualquer pessoa pode ter seus passos rastreados, com o uso de seu cartão de crédito. Portanto, qualquer um que esteja fugindo, tem de usar dinheiro vivo, enquanto se esconde. Onde será que Araci consegue todo esse dinheiro que usa para sua fuga? Teria carregado esse tempo todo com ela, mesmo em cativeiro? Intrigante…

Um tiro – um único tiro – um homem acaba de morrer – e com ele, “O Véu” finda sua estória.

Interessante saber que o Irã abriga a maior comunidade de judeus do Oriente Médio, fora de Israel, o chamado “Povo do Livro”, com o culto religioso liberado e convívio pacífico com os muçulmanos xiitas.

Termina mais uma brilhante trama urdida por Luis Eduardo Matta, no Oriente desconhecido para a maioria dos mortais – fica o desejo de ler coisas mais amenas, antes de atacar nova obra do autor. Acho que vou ler os temas juvenis de sua autoria. Beijo, tchau…

video com o autor, Luis Eduardo Matta:

Luis Eduardo Matta

Luis Eduardo Matta nasceu no Rio de Janeiro, em 1974, cidade onde atualmente reside. Descendente de libaneses pelo lado paterno, o autor iniciou a carreira literária em 1993, aos 18 anos, com a publicação do livro Conexão Beirute-Teeran (Editora Chamaeleon), um thriller com nuances policiais, ambientado no pós-guerra do Líbano. A decisão de assumir por ofício a escrita pelo viés ficcional resultou na publicação das obras “Ira implacável: indícios de uma conspiração” (Razão Cultural Editora); “120 horas” (Editora Planeta); “Morte no colégio” (Editora Ática); “Roubo no paço imperial” (Editora Ática); “O rubi do planalto central” (Editora Ática); e “O véu” (Primavera Editorial). Com abordagem contemporânea e estilo ágil, sutil e refinado, Matta confere ao thriller uma fisionomia brasileira sem despojá-lo das características fundamentais do gênero universal.  

Outras resenhas de livros de Luis Eduardo Matta, aqui no House of Thrillers: https://houseofthrillers.wordpress.com/category/luis-eduardo-matta/

Acompanhe o escritor Luis Eduardo Matta: http://www.lematta.com/

Twitter: @lematta http://twitter.com/#!/lematta

Facebook: http://www.facebook.com/media/set/fbx/?set=a.1671653323039.2082186.1588575676#!/luis.eduardo.matta

Conversas no Facebook, da autora deste blog Lili Machado, com o escritor Luis Eduardo Matta:  

“Lili, meus quatro primeiros romances tiveram o Oriente Médio como um dos cenários. Durante muitos anos estudei bastante sobre a região, de onde veio a família do meu pai.” – Luis Eduardo Matta, em 23 de setembro de 2010.
“Achei fantástica a resenha, Lili. Que bom que a leitura lhe fez boa companhia. Adorei seus comentários. Obrigado mesmo. Bjs.” – Luis Eduardo Matta, em 28 de setembro de 2010.
“Lili.  Estou adorando o blog. Parabéns.  Beijo grande.” – Luis Eduardo Matta, em 23 de abril de 2011.
 
A amiga escritora e Skoober, Janda  Montenegro, também resenhou o livro, em 08/10/2010:  assim na ficção como na vida real – Boa parte do charme de “O Véu” dá-se pelo fato do quadro em questão – O Véu – ser um objeto amaldiçoado, causando mortes e prejudicando aqueles que o cercam. Isso é ficção.  Na vida real, enquanto eu lia o livro, “coisas inusitadas” me aconteceram também. A prateleira dos meus livros cedeu, jogando todos ao chão, tudo porque eu queria abrir um espacinho para colocar meu exemplar junto com os livros lidos. Isso é vida real.  Luis Eduardo Matta me prendeu por 1 semana de tensão na leitura desse livro que ao contrário dos outros trillers, é mais suave, não se baseia na sanguinolência ou na busca do bandido; ao contrário, a tensão psicológica é mais importante aqui e para mim se torna mais real a partir do momento em que o autor descreve sua estória justamente pelos lugares que eu costumo frequentar, a zona sul carioca.  Hoje, não olho estes lugares com os mesmos olhos de antes.
 
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