FRANKENSTEIN (The Modern Prometheus) – Mary Shelley

Publicado: 4 de junho de 2011 em Autores que não são escritores de Thrillers
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Eu vi o pálido estudante de artes profanas ajoelhado ao lado da coisa que ele tinha reunido. Eu vi o fantasma hediondo de um homem estendido e, em seguida, através do funcionamento de alguma força, mostrar sinais de vida, e se mexer com um espasmo vital. Terrível, extremamente assustador seria o efeito de qualquer esforço humano na simulação do estupendo mecanismo de Criador do mundo. – Mary Shelley

Frankenstein é um thriller gótico, de autoria de Mary Shelley.  O livro relata a história de Victor Frankenstein, um estudante de ciências naturais que constrói um monstro em seu laboratório. O romance obteve grande sucesso e gerou todo um novo gênero de thriller de horror, tendo grande influência na literatura e cultura popular ocidental.

O romance epistolar é narrado através de cartas escritas pelo capitão Robert Walton para sua irmã, enquanto ele está ao comando de uma expedição náutica que busca achar uma passagem para o Pólo Norte. O navio sob o comando do capitão Walton fica preso quando o mar se congela, e a tripulação avista a criatura de Victor Frankenstein viajando em um trenó puxado por cães. A seguir o mar se agita, liberando o navio, e em uma balsa de gelo avistam o moribundo doutor Victor Frankenstein. Ao ser recolhido, Frankenstein passa a narrar sua história ao capitão Walton, que a reproduz nas cartas a irmã.

Victor Frankenstein começa contando de sua infância em Genebra como filho de um aristocrata suíço e adolescência como estudante autodidata dedicado e talentoso. Neste ponto ele apresenta Elizabeth, criada como irmã adotiva, e Henry Clerval, seu amigo para a vida toda. Frankenstein interessa-se pelas ciências naturais e acaba estudando livros de mestres alquimistas, até os 17 anos de idade, quando seus pais enviam-no para estudar na Alemanha.  Antes da partida, sua mãe contrai esscarlatina, e vem a falecer.

Ao chegar em Ingolstadt o jovem Victor procura seus futuros mestres, que condenam fortemente o tempo de estudo dedicado aos mestres alquimistas, e apresentam-lhe as modernas ciências naturias. Empenhado em descobrir os mistérios da criação, Victor estuda febrilmente e acaba encontrando o segredo da geração da vida.

Frankenstein dedica-se a criar um ser humano gigantesco, sacrificando o contato com a família e a própria saúde, e após dois anos obtém sucesso. Porém, Victor enoja-se com sua criação, e abandona-a, fugindo. É encontrado por seu amigo Clerval. Exausto, sucumbe à febre, sendo cuidado por seu amigo pelos meses seguintes, até seu reestabelecimento.

Lutando contra o desespero, o doutor Frankenstein é encontrado por sua criatura, que é surpreendentemente articulada e eloqüente. O monstro conta sua história, narrando como fugiu do laboratório de Frankenstein para uma floresta próxima, onde aprendeu a comer frutas e vegetais, e a usar o fogo. Porém, ao encontrar seres humanos era sempre escorraçado e agredido, então eventualmente esconde-se no depósito de lenha anexo a uma cabana. Lá, observa através de frestas na parede a vida de uma familia pobre, afeiçoando-se a eles e ajudando-os em segredo. A família consistia de um pai cego e um casal de irmãos. Aprende a língua e a escrita espionando, e encontra livros onde aprende sobre a vida e a virtude. Após longo tempo toma coragem para se apresentar a família, e consegue conversar com o pai cego, mas quando os filhos chegam e o vêem junto ao pai também escorraçam o monstro, e fogem para sempre da cabana. A criatura torna-se amargurada e resolve procurar seu criador, cujo diário descobrira no bolso do casaco que levou do laboratório na noite da fuga. Durante a travessia é sempre agredido pelos humanos.

Ao terminar sua história, o monstro exige a promessa de que Frankenstein construa uma fêmea para ele, prometendo por sua vez deixar a humanidade em paz e ir viver com a sua noiva na selva. Caso o cientista se recusasse, o monstro promete fazê-lo passar por tormentos inimagináveis. Extremamente contrariado, Frankenstein concorda, e ao voltar para Genebra torna-se noivo de Elizabeth, partindo com Clerval para a Inglaterra, a fim de cumprir a sua promessa.

Frankenstein, após passar por Londres, onde haviam os mais recentes avanços das ciências naturais, começa a construir a fêmea. Entretanto, ele muda de idéia, temendo criar uma raça de monstros que pudesse se virar não só contra ele, mas contra toda a raça humana. Após fazer várias considerações, Frankenstein decide que ele tem que sofrer as conseqüências por seus atos e não a humanidade, destruindo a criatura incompleta. O monstro acompanha o ato, e jura se vingar. Em seguida assassina Clerval. Frankenstein chega a ser acusado do crime, mas é inocentado por possuir um forte álibi. Seu pai vem lhe buscar e ambos retornam à Suíça.

Mesmo devastado pela culpa e pela tristeza, Victor casa-se com Elizabeth e no mesmo dia sai para viajar em lua de mel. Na noite de núpcias, fica vigiando a casa, temendo um ataque da criatura contra ele, mas o monstro ataca Elizabeth e a estrangula. Victor volta a Genebra, e com a notícia da morte de Elizabeth, seu pai adoece e morre em seguida. Jurando vingança, o criador passa a perseguir a criatura, que o leva através de uma longa caçada em direção ao norte, prosseguindo pelos mares congelados, onde eventualmente são avistados pelo capitão Walton e sua tripulação.

O navio dos exploradores fica preso no gelo, e Victor, já bastante doente, acaba morrendo. O capitão Walton então surpreende a criatura na cabine, no leito de morte de Frankenstein, pranteando seu criador. Ela diz para Walton que não havia mais o que temer pois seus crimes terminaram com a morte de Frankestein e prometeu ir ao extremo Norte e lá ela cometeria o suicídio trazendo paz aos humanos.

Embora a cultura popular tenha associado o nome Frankenstein à criatura, esta não é nomeada por Mary Shelley. Ela é referida como “criatura”, “monstro”, “demônio”, “desgraçado” por seu criador. Após o lançamento do filme Frankenstein em 1933, o público passou a chamar assim a criatura. Frankenstein é o nome de uma antiga cidade,  local de origem da família Frankenstein. Mary Shelley teria conhecido um membro desta família, o que possivelmente influenciou sua criação.

Frankenstein aborda diversos temas ao longo do texto, sendo o mais gritante a relação de criatura e criador, com óbvias implicações religiosas. Uma influência notável na obra é o poema Paraíso Perdido de John Mlton, que aborda a criação do homem e sua subseqüente queda. A influência torna-se explícita: é um dos livros que a criatura lê.

Preconceito, ingratidão e injustiça também estão presentes. A criatura é sempre julgada por sua aparência, e agredida antes de ter uma chance de se defender. Em um episódio, o monstro salva uma garotinha inconsciente e, ao tentar devolvê-la para seu pai, é baleado e acusado de tê-la agredido.

Por fim, a inevitabilidade do destino, tema muito desenvolvido na literatura clássica, é constatemente aludida ao longo do romance, que é uma obra que se presta a múltiplas interpretações e leituras.

1910Frankestein de Robert de Niro

O romance foi primeiramente adaptado para o teatro, e posteriormente para um grande número de mídias, incluindo rádio, televisão e cinema, além de quadrinhos.  Thomas Edison realiza em 1910 a primeira adaptação cinematográfica da obra de Shelley.  Uma das mais famosas transposições do romance para as telas é a realizada em 1931, com Boris Karloff como o Monstro. Esta adaptação deu a aparência mais conhecida do monstro, com uma cabeça chata, eletrodos no pescoço e movimentos pesados e desajeitados (apesar do livro descrever a criatura como extremamente ágil).

Em 1994 foi lançada uma adaptação cinematográfica dirigida por Kenneth Branagh, com o próprio no papel de Victor Frankenstein, Robert de Niro como a criatura e Helena Boham Carter como Elizabeth.

O romance Frankenstein ainda serviu como inspiração para o filme Edward mãos de tesoura, de Tim Burton, com a participação de Johnny Depp como Edward.

Mary Shelley (nascida Mary Wollstonecraft Godwin; 30 de Agosto de 1797 – 1º fevereiro de 1851) foi uma escritora britânica, de contos, dramaturga, ensaísta, biógrafa, e escritora de literatura de viagens.  Em 1814, Mary Godwin iniciou um relacionamento amoroso com um dos seguidores políticos de seu pai, Percy Bysshe Shelley. Em 1816, o famoso casal passou o verão com Lord Byron, em Genebra, onde Mary concebe a idéia de sua novela Frankenstein. O grupo chegou em Genebra em 14 de maio de 1816, onde Mary passou a se chamar de “Sra. Shelley”. Passaram seu tempo escrevendo, com passeios de barco no lago, e conversando até tarde da noite.

a villa onde foi escrito o thriller

“Foi com certeza um verão molhado,”, Mary Shelley relembrou em 1831, “a chuva incessante, muitas vezes confinou-nos dias dentro de casa”.  Entre outros assuntos, a conversa virou-se para as experiências do filósofo Darwin, do século 18, que disse ter animado matéria morta, e da viabilidade de retornar à vida um cadáver ou partes de um corpo.  Sentados em torno de uma fogueira na Villa de Byron, os companheiros também se divertiam lendo histórias alemãs de fantasmas, fazendo com que Byron sugerisse que cada um escrevesse o seu próprio conto sobrenatural. Pouco depois, em uma inspiração, Mary Godwin concebeu a idéia de Frankenstein.  Ela começou a escrever o que achou que seria uma história curta. Mais tarde ela descreveu o verão na Suíça como o momento “Quando eu saí da infância para a vida”.

assista ao trailer do filme com Robert de Niro:

A amiga skoober Érika dos Anjos, também resenhou o livro em 20/02/2009 – O ser de cada um – É praticamente impossível pensar em literatura e não lembrar de Frankenstein, desta obra prima de Mary Shelley, em um tempo que as mulheres não tinham oportunidade de serem escritoras. E, mesmo assim, a autora conseguiu criar um texto muito interessante e inovador para os padrões da época. Um cientista que quis brincar de ser Deus.  Victor Frankestein cria um ser a base de pedaços de cadáveres que ele rouba dos cemitérios. Após ver sua ‘criação’, o cientista não consegue conviver com aquilo que conseguiu dar vida. O monstro, revoltado, começa a fazer atrocidades para obter a atenção de seu ‘pai’ e para tentar achar algum sentido na vida que recebeu.  O texto é de uma criatividade impressionante e com bom desenvolvimento, porém, a autora peca algumas vezes nas descrições do locais e personagens, atrasando um pouco a leitura. Mas, nada que atrapalhe este excelente livro.

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