O acerto final (The final reckoning) – Sam Bourne

Publicado: 25 de junho de 2011 em Sam Bourne
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Editora: Record

O tema deste thriller é real: uma organização clandestina e um segredo de mais de 60 anos: o último grande mistério da Segunda Guerra Mundial.

O escritor Jonathan Freedland, cujo pseudônimo é Sam Bourne, envereda pelos caminhos de um thriller baseado em nosso passado recente.

Tom Byrne há muito tempo que abandonou seus dias de advogado idealista. Agora ele trabalha para qualquer um – desde que lhe paguem bem, incluindo a máfia.

Então, quando seu antigo chefe, Henning Munchau, um agente das Nações Unidas o pede para fazer um trabalho duvidoso, ele aceita – não tem nada a perder.

Um suspeito de ser um homem-bomba terrorista, é morto pela segurança das Nações Unidas – só que ao que parece, ele era apenas um senhor idoso e inofensivo, Gerald Merton, de 77 anos, em visita turística… O trabalho de Tom é acalmar os ânimos da família do homem.

Mas…

Como nem tudo é o que parecer ser…

Com a chegada do novo Secretário Geral da ONU, é necessária uma solução rápida para o caso. Terá sido um terrível engano? Se não foi engano, quem ele estaria perseguindo?

Jean Charles de Menezes, o da direita / Hamdi Adus Isaac ou Hussain Osman - o da esquerda

O escritor faz menção ao caso Jean Charles de Menezes, como exemplo de equívocos da polícia londrina – Jean Charles de Menezes, o da direita (Gonzaga, Minas Gerais, 7 de janeiro de 1978 – Londres, 22 de julho de 2005), foi um brasileiro que ficou conhecido após ser morto por engano pela SO19, unidade armada da Scotland Yard dentro de um trem do metrô de Londres. Os policiais supostamente o confundiram com Hamdi Adus Isaac (ou “Hussain Osman”), o da esquerda, suspeito de tentar fazer um fracassado atentado a bomba no metrô, na véspera. Esses fatos ocorreram duas semanas após os atentados de 7 de julho, quando uma série de explosões atingiu o sistema de transporte público de Londres, e 56 pessoas morreram.

Junto com Rebecca, a filha do tal homem suspeito, e que não quer aceitar desculpas da ONU; somente só próprio novo Secretário Geral, Tom começa a descobrir uma organização mundial clandestina, de sigla DIN, que possui um missão que causou centenas de mortes inexplicadas, de criminosos nazistas, que não tinham sido penalizados de forma concreta, após o julgamento de Nuremberg, ou que haviam fugido para outros países, em busca do esquecimento.

DIN significa: “O sangue de Israel terá sua vingança.” E centenas de nazistas são eliminados – e milhares de alemães podem ser aniquilados em breve.  Alguns dos nazistas foram “suicidados” pela DIN – no Brasil – muitos no Rio de Janeiro.

Tom Byrne leva para o hotel, por engano, um caderno parecido com o dele. Descobre o engano, mas é tentado a ler o que está escrito antes de devolver a Rebecca.

O caderno pertencia a Gerald Merton, antes conhecido como Gershon Matzkin, um judeu lituano; e contém detalhes sobre a morte de seus pais, durante a Segunda Guerra, e o aprisionamento dele e de suas 3 irmãs, pelos nazistas, na Polônia.

Gerald Merton era um sobrevivente do Holocausto, que, quando jovem, lutou contra o nazismo, junto à resistência judia.  Sua aparência ariana o ajudara a sobreviver e escapar de um campo de concentração.

Perseguido por alguns que o tentam impedir de continuar a investigação, Tom tem de desvendar um segredo escondido há mas de 60 anos – o último grande segredo da Segunda Guerra Mundial.

Byrne e Rebecca percorrem a Europa, tentando juntar as peças desse quebra-cabeças de vingança e descobrir o papel real de Gerald Merton na trama.

O escritor descreve uma cena em que Tom Byrne observava os transeuntes numa rua em Londres: Kingsland High Street, e um deles, trajava uma camisa da seleção brasileira de futebol – reconhecida no mundo todo.

Enquanto isso, alguém está tentando atrapalhar os planos deles – e os fatos estão esquentando.

À medida que a solução vai se delineando e o ato final de vingança de Gerald/Gershon é descoberto, Byrne fica sabendo que está no meio de uma batalha internacional muito maior do que pensava.

Logo no início do livro, ficamos sabendo dos horrores que virão, através das palavras do próprio autor:  “Perdão se o que lerem aqui é terrível, se as informações os deixarão incomodados como eu fico.  Mas não há aqui nenhum exagero ou mentira.  Posso não contar tudo, mas o que eu contar será a verdade.”

Esta é uma estória difícil de ler, em certos momentos; mas é algo que nunca será esquecido.

Quanto à tão falada não-resistência dos judeus, durante o holocausto: eles não tinham escolha.  Os poloneses, lituanos e todos os demais, odiavam, de tal forma os judeus, que ficavam felizes em acabar com qualquer um que os nazistas tivesses sido tolos o bastante para deixar escapar. “went from the fire to the frying pan” (foram do fogo para a frigideira).

Os números não mentem: dos mais de 13 milhões de homens e mulheres considerados cúmplices dos horrores do Terceiro Reich, 569.000 foram julgados em Nuremberg e outros tribunais da Segunda Guerra; sendo 90.000 condenados a penas de prisão variadas de até 10 anos, 300 condenados a prisão perpétua e 11 sentenças de morte.  “E foi tudo” – Sam Bourne

Não é difícil visualizar os leitores pesquisando em livros de história ou na internet, para achar mais informações sobre os fatos reais que fizeram parte da vida de Gerald Merton.  Eu consultei o Oráculo do Google, digitando as manchetes dos jornais da época de alguns dos atos de vingança, como no caso dos pães envenenados com arsênico – e encontrei, inclusive, a imagem da página do New York Times com uma das notícias em detalhes.  – os milagres da tecnologia – estou sempre me surpreendendo.  Site da página mencionada – não deixem de ver: http://news.google.com/newspapers?nid=1955&dat=19460419&id=sxorAAAAIBAJ&sjid=pZ0FAAAAIBAJ&pg=1857,3794807

Texto irônico, mas verdadeiro: “Hogwarts (a escola de bruxos de Harry Potter) que nada; basta ser um negro vestido de faxineiro: assim ninguém lhe enxerga, pode ter certeza.” – Sam Bourne

Interessante o modo como o escritor Sam Bourne introduz a rede social Facebook como ferramenta da investigação, pág. 343.

O autor Sam Bourne usa seus conhecimentos históricos e sua experiência como correspondente de guerra para fundamentar sua inspiração ficcional.   A história da verdadeira DIN – os NOKMIN (Os Vingadores) foi contada no livro “Forged in fury”, pelo ex-correspondente de guerra da BBC em Jerusalém, Michael Elkins, em 1971, relatando os fatos dos pães envenenados e do plano Aleph de envenenamento da água.

Gershon Matzkin, entretanto, é fictício – é uma mistura de vários vingadores descritos nas fontes que deram origem ao livro O Acerto Final.

Finalmente, George Kadish, o fotógrafo cujo trabalho ajuda Tom a solucionar o mistério dessa estória, realmente existiu: todas as suas fotos podem ser encontradas na internet, https://www.google.com.br/search?q=george+kadish&hl=pt-BR&prmd=imvnso&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=TEiMT9-5MI2k8QTO_bDiCQ&ved=0CCwQsAQ&biw=1600&bih=736&sei=J0mMT6K-AYS69QTQtMXBCQ e informações no site http://en.wikipedia.org/wiki/George_Kadish .

Clandestine photograph taken by George Kadish: scene during the deportation of Jews from the Kovno ghetto. Kovno, Lithuania, 1942. (fotografia clandestina tirada por George Kadish durante a deportação de judeus do gueto de Kovno, na Lituânia e 1942.)

Baseado na história verdadeira de um grupo de sobreviventes do Holocausto que tomaram para si a missão de vingar crimes nazistas, O acerto final é um thriller emocionalmente empolgante e compulsivo, que nos faz virar as páginas em ritmo frenético.

– eu mesma não aguentei e no meio da leitura fui até o final do livro, mas consegui me controlar e não li as últimas páginas… ainda…

Neste video, Sam Bourne, fala sobre seus livros:

Sam Bourne

Sam Bourne é o pseudônimo do premiado jornalista inglês Jonathan Freedland.

Ele assina uma coluna semanal no Guardian e colabora mensalmente com o Jewish Chronicle.

É apresentador do programa de história contemporânea The Long View na Radio 4.

Mora em Londres com a mulher e os dois filhos.

Recebido com entusiasmo pela crítica e pelos leitores, O código dos justos é seu livro de estréia.

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