O mistério do círculo – Leandro Luzone

Publicado: 13 de agosto de 2011 em autores brasileiros
Tags:

Aquele que busca (…). Quando encontrar, (…) ficará maravilhado e reinará sobre o Todo. – Tomé

Tenho um pouco de pé atrás, quando se trata de suspenses policiais brasileiros, mas este, fora alguns clichês inevitáveis, foi uma grata surpresa.

Uma sacerdotisa druida, celtas, um padre católico em dúvida dos dogmas religiosos, um detetive inglês, o Santo Ofício (a Inquisição), Wicca, a rainha Boadicea, o Malleus Malleficarum, instrumentos de tortura, cardeais pedófilos, a hipocrisia do celibato, Londres, o Museu Britânico, a London Eye, Stonehenge, o Tor de Glastonbury, Avalon, mandrágora, pesquisa sobre células-tronco, Alzheimer – essa mistura, resultou num livro que tem como cenário, pontos turísticos da Inglaterra, em especial, em Londres – e como, a minha última viagem a este país está, ainda muito recente, as lembranças foram muito vívidas.

Além disso, meu casamento foi realizado por uma sacerdotisa druida, em 1997 – podem imaginar a importância do livro para mim, cheio de coincidências.  A heroína da trama, Dra. Ayna Fulke, mora, inclusive, em Marylebone – bairro onde fiquei hospedada – perto do museu de cera da Madame Tussauds.

Os assassinatos correm de acordo com a Roda do Ano Celta e obedece às festas dos sabás druidas, no hemisfério norte. O primeiro assassinato é da sacerdotisa na festa de Coamhain, seguindo-se o Lugnasadh, o Herfest, o Samhain, o Yule, o Imbolc, o Ostara, culminando na tentativa de assassinato de Ayna, sacerdotisa de Beltane, na festa de mesmo nome. Interessante, no mínimo, a cena do padre católico em comunhão com a sacerdotisa druida, nas bodas de Beltane.

Só não gostei da menção ao gato preto, como o símbolo de mau agouro – bobagem – eu tenho um lindo, que amo de paixão e é a mais doce das criaturas. Somente quem não os tem, é que pode supor algo assim.

book trailer do livro:

No Brasil, a primeira narrativa policial de que se tem notícia foi O mistério.  Escrita a oito mãos por Coelho Neto, Afrânio Peixoto, Medeiros e Albuquerque e Viriato Corrêa, a obra chegou ao mercado em capítulos pelo jornal A Folha em 1920.  Ou seja, apareceu 79 anos depois do lançamento do conto fundador do gênero, “The murders in the Rue Morgue”, de Edgar Allan Poe, no qual aparece Auguste Dupin, o arquétipo do que viria a ser o detetive moderno: “uma máquina de pensar, que a partir de vestígios, pistas, indícios, consegue, através de uma dedução lógica rigorosa, reconstruir uma história, um fato passado, e assim descobrir o(s) culpado(s)”.

link para o arquivo em PDF do livro, O Mistério:

 http://www.mafua.ufsc.br/numero16/obra_rara/o_misterio.pdf

Seguindo a cronologia das publicações, O mistério surgiu 33 anos depois da criação do famoso Sherlock Holmes por Arthur Conan Doyle e no mesmo ano do lançamento de Hercule Poirot, o detetive idealizado pela “dama do crime” Agatha Christie.

De 1920 até os dias atuais registraram-se incursões brasileiras no gênero policial, porém, o volume da produção até a década de 1970 era relativamente modesto.

O cenário só se alterou a partir dos anos 1970, quando Rubem Fonseca despontou com seu estilo hard boiled –– uma reação realista à artificialidade do modelo clássico, na qual detetives atormentados por problemas com mulheres, bebidas e falta de dinheiro assumem o lugar dos gênios diletantes da narrativa tradicional.

No entanto, a grande mudança no panorama literário se fez sentir na década de 1990, quando o psicanalista e escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza apresentou ao público o detetive Espinosa.

Leandro Luzone

Leandro Luzone é advogado, cronista e escritor. Antes de escrever seu primeiro romance: “O Mistério do Círculo”, visitou todos os cenários citados no enredo, em uma viagem de pesquisa e peregrinação, entre Inglaterra e Itália. É membro da Academia de Letras da Mantiqueira, instituição cultural vinculada à FALASP – Federação das Academias de Letras e Artes do Estado de São Paulo, e titular da Medalha do Mérito Tiradentes.

A escritora e amiga skoober Janda Montenegro, resenhou o livro em 21/05/2011 – uma surpresa atrás da outra. Este livro me surpreendeu seguidas vezes. O exemplar chegou até a mim por conta do meu projeto Nós, Autores com a Saraiva; como convidei o autor a participar da edição de junho de 2011, me prontifiquei a ler o livro para me preparar para o bate-papo. Não esperava nada da leitura, nada mesmo. Abri o livro completamente crua para a leitura e me surpreendi. Primeiro porque a trama é muito bem escrita, chega a ser inacreditável pensar que este é o primeiro livro do autor – ainda mais um thriller! Além disso, é perceptível o quanto o autor se aprofundou em suas pesquisas geográficas e históricas, a fim de dar maior credibilidade à trama. Você realmente se sente passeando pelas ruas e arredores de Londres como se estivesse lá – e que vontade dá de realmente estar! Leandro Luzone aborda diversos temas, concatenando-os numa linha principal que é o assassinato em série das sacerdotisas do Círculo. Muito embora esse seja o fio condutor, ainda há espaço para levantar assuntos polêmicos como a cura do mal de Alzheimer, o estudo e uso de células-tronco com fins medicinais, a ambição do homem pelo poder, o embate teologia X paganismo, Igreja Católica, pedofilia entre padres, castidade no sacerdócio, amor proibido, etc. E, ainda por cima, um serial killer aterrorizador que se veste como no século XIX e está eliminando as sacerdotisas uma a uma, de modo que a Scotland Yard tem que investigar o caso. Ou seja: tem assunto pra todo tipo de leitor!

Anúncios

Deixe seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s