O pêndulo de Foucault (Foucault’s Pendulum) – Umberto Eco

Publicado: 15 de outubro de 2011 em Autores que não são escritores de Thrillers, Umberto Eco
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                 Editora: Record

“O melhor dos thrillers é aquele em que o próprio leitor é o assassino!” – Umberto Eco

                      Umberto Eco, neste O Pêndulo de Foucault, lançou a premissa literária da conspiração religiosa complexa, com uma seita secreta – popularizada com o Código da Vinci de Dan Brown.

Até o advento de Dan Brown, Umberto Eco e seu Pêndulo de Foucault, foi, durante anos, um símbolo de intelectualidade a ser ostentado em mãos, em reuniões importantes.

O Pêndulo de Foucault

Um Pêndulo de Foucault, assim chamado em referência ao físico francês Jean Bernard Léon Foucault, é uma experiência concebida para demonstrar a rotação da Terra, em relação a um referencial, bem como a existência da força de Coriolis.  A primeira demonstração data de 1851, quando um pêndulo foi fixado ao teto do Panthéon de Paris. A originalidade do pêndulo reside no fato de ter liberdade de oscilação em qualquer direção, ou seja, o plano pendular não é fixo. A rotação do plano pendular é devida (e prova) a rotação da Terra. A velocidade e a direção de rotação do plano pendular permitem igualmente determinar a latitude do local da experiência sem nenhuma observação astronômica exterior.

Agora, vamos ao livro:

Entediados com seu trabalho, três editores de Milão elaboram um plano fictício, que conecta o desaparecimento dos cavaleiros medievais templários, com seitas secretas dos tempos antigos e modernos.

Esse plano produz um mapa indicando os pontos geográficos através dos quais os poderes da Terra podem ser controlados – um em Paris, França, no Pêndulo de Foucault.

Ao alimentar o plano no computador, eles se tornam obcecados com sua trama, e prevendo o reaparecimento dos Templários, a tempo de retomar o poder.

Mas, o que acaba acontecendo é que a brincadeira torna-se real demais, quando grupos de satanistas tomam conhecimento do tal mapa, e dele resolvem se apossar, indo até o ato de matar um dos editores, em sua luta pelo controle do planeta.

Denso e provocativo, o thriller é uma mistura de meditação metafísica, estórias de detetives, filosofia, história, enigmas matemáticos, mitologias religiosas e multiculturais, ocultismo, mistérios herméticos, Rosacruz, Jesuítas, Franco-maçons, voodoo, magia, computadores tentando reproduzir o nome verdadeiro de Deus, mistérios da Torá judaica, druidas, túneis subterrâneos que conectam pontos estratégicos do planeta, séculos de conspiração e uma batalha pelo domínio do mundo, segredos passados de geração a geração aos poucos escolhidos – ad infinitum.  – entenderam agora?

A narrativa é um exercício cerebral no qual Eco sugere que a arrogância intelectual não leva a bons termos.

Provavelmente, foi o primeiro livro que li (há muito tempo atrás), que me fez pensar sobre a natureza da realidade – o que é real, o que é conhecimento científico, como sabemos e quem decide.

Adorei os jogos mentais, as tramas de conspiração.

Houve momentos que pensei estar envolvida na conspiração e que poderia estar em perigo também.  No fim do livro, seu ponto de vista sobre o mundo vai mudar.

Achei a linguagem muito densa, sim; mas com toques de saboroso prazer intelectual – uma jóia genuína.  No começo você pode achar que não está entendendo nada – não importa – continue.  Umberto Eco planejou exatamente isso!  Aproveite o livro e passe por cima de pequenos detalhes e datas – absorva o conjunto da obra.  Você terá bastante tempo para pensar sobre tudo isso depois de ter terminado.  Não pare para pensar: Eu não estou entendendo, vou parar de ler.  – não! Termine o livro!

Umberto Eco escreve dessa maneira – os livros dele são apena para os fortes de espírito – pessoas com perseverança e que lutam para conseguir o que poucos conseguem.  Seus livros são deliberadamente criptografados – são para os fortes que permanecem no campo de batalha, recebendo, ao fim, a recompensa, como pétalas de rosas.

O próprio Umberto Eco admitiu que incluiu as primeiras 100 páginas de pura história em O nome da Rosa, para desencorajar os leitores que não possuíssem a tenacidade necessária para continuar o livro.

O Pêndulo de Foucault no Conservatoire des Arts et Metiers en Paris: 

Umberto Eco

Umberto Eco (1932) é um escritor, filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo italiano de fama internacional. É e diretor da Escola Superior de ciências humanas na Universidade de Bolonha.  Ensinou em Yale, e em Harvard.  Eco é, ainda, notório escritor de romances, entre os quais O nome da Rosa e O pêndulo de Foucault.

 

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