Editora: Intrínseca

Três 3 roubos são investigados, simultaneamente, em três cidades diferentes – mas esses crimes aparentemente isolados possuem muito mais em comum do que se imagina.

Roma: Na pequena igreja barroca de Santa Giuliana, um magnífico Caravaggio desaparece sem deixar vestígios, no meio da noite.

Paris: Nos porões da Sociedade Malevich, a curadora Genevive Delacloche fica chocada ao descobrir o desaparecimento de seu maior tesouro: a tela suprematista Branco no Branco, do pintor Kasimir Malevich.

Londres: Na National Gallery, a última aquisição do museu é roubada, horas depois de ter sido comprada, por mais de 6 milhões de libras, da casa de leilões Christie´s.

Em O ladrão de arte, 3 roubos são investigados, simultaneamente, em três cidades diferentes – mas esses crimes aparentemente isolados possuem muito mais em comum do que se imagina.

Um conjunto de fraudes, cópias, superposições se desenvolve em casas de leilões, museus e galerias de arte – além de outros lugares onde preciosas peças ficam disponíveis para colecionadores que farão de tudo para satisfazerem seus desejos.

O renomado historiador de arte Gabriel Coffin e seus companheiros especialistas em arte, tem de correr para recuperar as peças antes que elas desapareçam para sempre.

Os crimes ligados à arte são socialmente aceitáveis – até mesmo considerados fascinantes e glamourosos. O público tende a ter uma empatia com os criminosos da alta classe. É com satisfação e respeito que se lê sobre o tema – um voyeurismo para poucos eleitos e abastados.

O ambiente de uma casa de leilões – onde as obras de arte podem ser apreciadas e avaliadas – é intenso e de emoção contagiosa.

A recompensa para o cliente de um roubo desses, é o de possuir um exemplo de beleza.  Sua punição é que ninguém, a não ser alguns de muita confiança, poderá saber da recompensa – o troféu precisa ser mantido numa redoma indevassável e escondida do público.

Anunciação - Caravaggio

O Caravaggio desaparecido era o Anunciação, uma cena bíblica em que deus manda o arcanjo Gabriel visitar Maria e contar do nascimento de seu filho; pintada por Michelangelo Merisi da Caravaggio, e vendida por uma ninharia, já que precisava de dinheiro.  

A cena foge, completamente, à iconografia normal, recortada contra um fundo escuro e amorfo, como se o artista tivesse pressa em terminar o trabalho para receber o pagamento.

Iconografia – estudo das imagens simbólicas de uma obra de arte.

Frutas simbolizam prosperidade e fertilidade.

Um cachorro é o símbolo da lealdade.

Uma ampulheta é o tempo.

Branco sobre branco - Malevitch

As obras suprematistas russas de Malevitch são telas abstratas baseadas em cores e seus relacionamentos com a espiritualidade. A que foi roubada, Branco sobre Branco, é considerada a mais importante da série de composições dessa cor. Não é o estilo de arte meu favorito, mas juro que estou tentando entender o tal “equilíbrio entre a brancura e o vazio transformando a meditação contemplativa de uma tensão interior.”  De acordo com os próprios especialistas em história da arte, não há resposta certa para a pergunta “Sobre o que é essa pintura?” Na verdade, a pergunta certa, para este mundo de sensações conceituadas, é: “Essa pintura faz com que sintamos o quê?”  Para Malevitch, a pintura deve provocar paz ou raiva – principalmente, emoção. A arte supremacista busca criar emoções para serem vistas por todos e para ser por todos interpretadas, como queiram.  Também, para Malevitch, essa tela, em especial, era considerada uma forma de se aproximar de Deus, sem uma imagem formal.  As pinturas do Renascimento são mais codificadas e exigem conhecimentos especializados. As dos impressionistas são meros objetos de prazer. As dos expressionistas abstratos, não exigem nada – são estimuladores de emoções.

retábulo e o azul precioso

Para podermos entender o valor de um retábulo barroco, para os povos da Idade Média, precisamos lembrar que as únicas imagens que eles costumavam contemplar, era o seu próprio reflexo na água. Ao irem nas igrejas e verem as obras de arte, magníficas, reluzindo com ouro, provocavam admiração e reverência a Deus e pela Igreja.  Os personagens divinos eram representados de frente e em tamanho maior do que os outros.  O que era mais caro, nessas pinturas, não era o ouro – era a cor azul, feita da moagem da pedra lápis-lázuli, importada do Oriente Médio.  A técnica de pintura da época era a têmpera sobre a madeira – cada artista moía seus próprios pigmentos, mergulhava o pincel num ovo partido ao meio e depois nos pigmentos moídos, e pintava, sobre peças de madeira de choupo, cobertas de gesso branco.  

Somente com o advento da tinta a óleo é que as nuances expressas por camadas de tinta puderam ser apresentadas.  Além disso, somente no século XIX, os artistas começaram a comprar tintas prontas. Antes, os pintores a óleo, cozinhavam suas próprias tintas, em seus estúdios, com quantidades de materiais orgânicos únicas – isso facilita a identificação da datação de uma pintura, e uma falsificação, sob os modernos testes de carbono 14. É preciso da tinta certa, e o papel da época certa, para um falsificação de qualidade. 

Sempre quis saber como é que se pintava em cima de alguma obra, sem danificar o que tem por baixo – usando tintas com substâncias químicas diferentes da tinta original, de modo que possam ser removidas enquanto a original permanece intocada.

Cheia de fascinantes detalhes artísticos e históricos, a estória de estréia de Noah Charney é um thriller sofisticado e estiloso – tão irresistivel e multifacetado quanto um trabalho de arte.

Isso acontece até a página 245.

Eu estava muito entusiasmada com a trama do livro e com as aulas de história da arte inseridas no meio do texto, já que sou estudiosa do tema, mas acabei me decepcionando.

Senão, vejamos:

Em Paris, o inspetor Jean-Jacques Bizot recebe a ajuda de Genevive Delacloche, numa trilha de pistas bizarras. Mas o obeso detetive da Sureté tem de parar, de vez em quando, suas orgias gastronômicas, para investigar a cena do crime – se sua enorme barriga o deixar ver as pistas, é claro…

Em Londres, o inspetor Harry Wickenden, da Scotland Yard, auxilia a National Gallery na tentativa de recuperar seu Malevitch roubado. E consegue, trazendo mais confusão. Mas o detetive britânico, deprimido e mau vestido, que mal consegue destinguir um Degas de um Manet, consegue resolver vários roubos de arte?

Á medida que a leitura seguia, uma sensação estranha tomou conta de mim – um “déja vu”. Eu já tinha lido o que estava lendo, já tinha visto as imagens mencionadas, já tinha acompanhado trama parecida, há pouco, pouquíssimo tempo.

E dito e feito – logo pude reconhecer uma série de “coincidências” entre O ladrão de arte, e o livro:

O testamento dos séculos de Henri Loevenbruck (resenha no blog: https://houseofthrillers.wordpress.com/2011/03/05/159/) e a obra de Dan Brown – O Símbolo Perdido (resenha no blog: https://houseofthrillers.wordpress.com/2011/09/17/o-simbolo-perdido-the-lost-symbol-dan-brown/).

 Quais sejam:

Melencolia I - Durer

quadrado mágico - parte da imagem de Melencolia I - Durer

As gravuras das pistas são do pintor Dürer – Melencolia I – tanto em “Testamento”, quanto em “Símbolo perdido”; – agora, em O ladrão de arte.

Nas duas obras (Testamento e Código) é avaliado um “quadrado mágico” que consta de tal gravura de Dürer; – agora, também, em O ladrão de arte.

Dá pros escritores serem um pouco mais criativos e procurarem outras gravuras para servirem de pista para seus mistérios, ou será que somente Dürer desenhou gravuras que se prestassem a esse tipo de trama? E adoro as gravuras de Dürer, mas já estou cansada de ler a mesma coisa sempre.

E chega de citações bíblicas, por favor.

Neste video, o escritor fala sobre o livro:

Noah Charney

Noah Charney é graduado em História da Arte pela Universidade de Cambridge. Ele é o fundador da Associação para a pesquisa de crimes contra a Arte (www.artcrime.info). Seus artigos no campo dos crimes contra a Arte foram publicados No New York Times, na Revista Time e na Vanity Fair, entre outros veículos impressos. Charney é o autor de uma série de guias de história da arte nos museus espanhóis. O lucro de todos os seus trabalhos literários é direcionado a obras de caridade. Ele vive, atualmente, na Itália, e é professor de História da Arte na Universidade de Roma.

Para acompanhar a carreira do escritor: http://www.noahcharney.com/

E sua página no facebook: http://www.facebook.com/pages/Noah-Charney/120069041365821?sk=wall

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