72 horas para morrer – Ricardo Ragazzo

Publicado: 20 de outubro de 2012 em autores brasileiros, Ricardo Ragazzo
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Editora: Novo Século

Espero que esse livro deixe suas horas mais curtas e suas madrugadas mais longas.” – dedicatória de Ricardo Ragazzo

No mês passado recebi a incumbência de resenhar este livro, por encomenda do próprio autor, leitor de meu blog House of Thrillers. – uma surpresa elogiosa.

A princípio, deixei o livro de lado, pois estava terminando de ler um Anne Rice (https://houseofthrillers.wordpress.com/category/anne-rice/). Quando o peguei e comecei a ler, não consegui desgrudar os olhos – muito menos a mente, deste thriller promissor, de ritmo frenético. Li em três dias. Para mim, uma novidade surpreendente – não sou muito de gostar de thrillers brasileiros – #prontofalei, podem me crucificar! Por melhores que sejam, sempre ficam numa espécie de bolha de ar doméstico, da qual não consigo retirá-los.

E esse livro não – ao passar das páginas, de vez em quando tinha de refrescar a memória de que era um autor nacional – tal a atmosfera que remetia a Harlan Coben (https://houseofthrillers.wordpress.com/category/harlan-coben/), Dennis Lehane (resenhas em breve) e Dean Koontz (https://houseofthrillers.wordpress.com/2011/11/26/the-moonlit-mind-a-tale-of-suspense-dean-koontz-short-story-kindle-edi-tion/).

Até para montar essa resenha foi difícil – normalmente, eu vou lendo o livro, marcando os trechos que mais me chamam atenção ou que mereçam menção, com marcador amarelinho. A cada grupo de amarelinhos posto um histórico de leitura no Skoob. Quando termino o livro, é só reunir os históricos de leitura, e a resenha está alinhavada – só precisando de ligeiros acabamentos. E quem disse que eu conseguia parar de ler para postar históricos de leitura?

Depois, quando acabei, não resisti e implorei detalhes e informações diretamente na fonte: o próprio escritor.  Aliás, excelente iniciativa, a minha, que me rendeu preciosos “inside data.” Apesar disso, ainda ficaram algumas dúvidas, aproveito para tentar esclarecer:

Detalhes misteriosos 1: Quem será a tal leitora número 1 que preferiu o anonimato, a quem o autor agradece no início do livro?

Detalhes misteriosos 2: Quem será a Laura que Ragazzo está esperando? – será que o autor será papai novamente, em breve, e deu à filha do protagonista da trama, o nome escolhido para seu novo rebento?

O personagem principal é Júlio Fontana, delegado da cidade de Novo Salto.  Júlio é um homem maduro que coloca a justiça acima de tudo; não controla as próprias emoções, meio truculento – seus métodos para conseguir informações nem sempre são puristas, como bem saberá, em breve, Getúlio Saldanha. “Não consigo ver diferença alguma entre você e o psicopata que está caçando.” – Laura Fontana

Isso, somado ao grande número de inimigos que conseguiu amealhar ao longo de sua vida, torna Júlio um personagem envolvido numa trama contra a sua própria família, e amigos próximos, brutalmente assassinados. Todos querem que ele sofra; incluindo a própria filha, Laura, que ele cria sozinho.   Laura é uma típica adolescente imatura e exacerbada emocionalmente, com quem Júlio tem um relacionamento estremecido, desde a morte da esposa – cuja morte, aliás, que Laura culpa o pai.

Júlio tem de solucionar uma série de crimes que começam com o assassinato de sua própria namorada Agatha, que estava grávida do “bebê Fontana”. – aliás um início de livro que me lembra muito o estilo cru de Karin Slaughter (https://houseofthrillers.wordpress.com/category/karin-slaughter/).

Correndo contra as tais 72 horas, Júlio se dá conta de que o próximo alvo é sua filha (que resolve se envolver com Miguel – um homem mais velho, que saiu da cadeia – parte do passado que Julio quer esquecer).

A vingança é como aquela viagem que planejamos (…) para a qual nos preparamos com meses de antecedência, pouco a pouco, saboreando cada minuto que nos aproxima dela; (…) Até que chega a hora de irmos. (…) Então, damo-nos conta de que grande parte da graça foi, exatamente, aqueles momentos que antecederam a viagem.” – Ricardo Ragazzo – putz, é exatamente assim que eu me sinto em relação às minhas viagens internacionais!

Anos atrás, Júlio chega em casa, de repente, com um ramo de flores, e flagra Felipe, o jardineiro, nu, no quarto do casal, enquanto sua esposa, Sylvia estava no banheiro. – claro que ele pensou que ela o estivesse traindo. “Amor leal é o raio que o parta!” – Júlio Fontana

Só que as coisas não são bem como parecem ser…

Júlio, desesperado, expulsa a mulher de casa e persegue Felipe, espancando-o até quase matá-lo, na beira de uma estrada. As mortes cuidadosamente planejadas começam a acontecer muito tempo depois, envolvendo a todos que rodeiam Júlio.Até mesmo a queda e desgraça do padre Paulo parece ser consequência desses acontecimentos tão antigos.

Durante o texto, cada diálogo nos aproxima do protagonista (e me afasta de Laura). A estória parece muito real e crível.  Adoro flashbacks e Ragazzo usa e abusa (ou seria abuzza???) deles.

Outra de minhas preferências é o suspense psicológico e Ragazzo parece ter bebido na fonte do mestre Jonathan Kellerman (https://houseofthrillers.wordpress.com/category/jonathan-kellerman/).

O único ponto que não me agradou foi o final. Para ser mais exata, da página 207 em diante. Baixou o mestre King em Ragazzo, com toques nada sutis de Quentin Tarantino (especialmente na página 247). Depois, mudou para a Zibia Gasparetto, com direito a título de capítulo: “Redenção”, nas 2 últimas páginas. Com isto não estou dizendo que está ruim.  Ficou coerente e tudo o mais, porém, eu gosto de escolher o estilo literário e seguir no mesmo até o final – mas isso é meramente minha opinião.  No balanço geral vale a pena conferir este agradavelmente surpreendente livro e o promissor escritor. Deixou um gosto de quero mais! Já fui buscar seu livro de contos: a.C. d.C. (antes desses contos depois desses contos), lançado em 2009, pela Editora Baraúna. 

E, ao final desta resenha, me aproprio das palavras do autor: “Pior do que conhecer um serial killer, é um serial killer conhecer você!”– Ricardo Ragazzo

No Brasil, a primeira narrativa policial de que se tem notícia foi O mistério.  Escrita a oito mãos por Coelho Neto, Afrânio Peixoto, Medeiros e Albuquerque e Viriato Corrêa, a obra chegou ao mercado em capítulos pelo jornal A Folha em 1920.  Ou seja, apareceu 79 anos depois do lançamento do conto fundador do gênero, “The murders in the Rue Morgue”, de Edgar Allan Poe, no qual aparece Auguste Dupin, o arquétipo do que viria a ser o detetive moderno: “uma máquina de pensar, que a partir de vestígios, pistas, indícios, consegue, através de uma dedução lógica rigorosa, reconstruir uma história, um fato passado, e assim descobrir o(s) culpado(s)”.

link para o arquivo em PDF do livro, O Mistério:

 http://www.mafua.ufsc.br/numero16/obra_rara/o_misterio.pdf

 Seguindo a cronologia das publicações, O mistério surgiu 33 anos depois da criação do famoso Sherlock Holmes por Arthur Conan Doyle e no mesmo ano do lançamento de Hercule Poirot, o detetive idealizado pela “dama do crime” Agatha Christie.

De 1920 até os dias atuais registraram-se incursões brasileiras no gênero policial, porém, o volume da produção até a década de 1970 era relativamente modesto.

O cenário só se alterou a partir dos anos 1970, quando Rubem Fonseca despontou com seu estilo hard boiled –– uma reação realista à artificialidade do modelo clássico, na qual detetives atormentados por problemas com mulheres, bebidas e falta de dinheiro assumem o lugar dos gênios diletantes da narrativa tradicional.

No entanto, a grande mudança no panorama literário se fez sentir na década de 1990, quando o psicanalista e escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza apresentou ao público o detetive Espinosa.

 

Ricardo Ragazzo

Ricardo Ragazzo é bacharel em Direito, blogueiro, escritor e jogador de RPG. Aos 35 anos de idade mora em São Paulo com sua esposa, filho e um beagle.

 Para acompanhar o escritor: www.72horasparamorrer.com.br e www.palavraporquilo.blogspot.com

 Twitter: (@ricardoragazzo

Facebook: www.facebook.com/ricardo.ragazzoo

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