Aurora boreal – Äsa Larsson

Publicado: 3 de novembro de 2012 em Äsa Larsson
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Editora: Planeta

“Este livro deixou o escritor Stieg Larsson acordado uma noite inteira.” – Sköna Hem (faturando em cima do falecido escritor que não pode desdizer o comentário)

No chão de uma igreja no norte da Suécia, o corpo de um homem é encontrado mutilado – e no céu noturno, a aurora boreal dança com a neve.

Rebecca Martinsson está voltando para Kiruna, a provinciana cidade que ela deixou, em desgraça, anos antes.  Hoje uma bem sucedida advogada tributária, em Estocolmo, Rebecca tem uma boa razão para retornar: sua amiga Sanna, cujo irmão foi brutalmente assassinado numa igreja evangélica que seu próprio carisma tinha ajudado a criar.

Bela, neurótica, problemática e frágil, Sanna precisa de alguém como Rebecca para remover a sombra de culpa que a encobre.  Mas para ajudar sua amiga de infância e descobrir o assassino do homem que ela tinha adorado por muitos anos e que, agora, ela suspeitava que nunca havia conhecido, realmente, Rebecca tem de libertar toda a escuridão que deixou para trás em Kiruna, combater uma sórdida conspiração e confrontar um assassino cujos motivos são impossíveis de serem adivinhados…

Enquanto a polícia local investiga o crime, dirigida pela inspetora Anna-Maria Mella, Rebecca, uma personagem forte e simpática, começa a desencavar suas conexões passadas com a vítima e sua igreja.  – gostei de saber que a personagem de Rebecca é tão metódica com suas roupas de trabalho quanto eu: tem o cabide de 2a feira, de 3a feira, and so on, tudo separadinho de antemão.  Gostei.

O nome da igreja é muito estranho, como, aliás, é o nome da maior parte das igrejas evangélicas: A fonte de toda a nossa força. – glossolalia: capacidade de falar em línguas incompreensíveis, em estado de transe religioso.

Quem iria querer matar uma celebridade religiosa: o endeusado Viktor Strandgärd, o que já havia morrido e voltado do mundo dos mortos para contar a todos o que vira do outro lado, e fundamentar as bases de sua igreja; e porque ele fora morto de uma forma tão brutal?

Os motivos para o assassinato vão desde questões tributárias da igreja a intrigas sexuais e pedofilia, mas o foco é na frustração de Rebecca, de ser obrigada a enfrentar, novamente, os fantasmas e vergonhas de seu próprio passado.

Sanna, que encontrou o corpo, é presa, acusada pelo assassinato, e Rebecca tenta provar sua inocência e, ao mesmo tempo, cuidar de suas duas filhas pequenas, Sara e Lova (filhas de Sanna), e não deixá-las em custódia dos neuróticos pais de Sanna e Viktor. – com pais como esses, como não poderiam ser esses dois irmãos?

A mente e o comportamento de Sanna vão da apatia e catatonia à euforia e destempero sexual, com alarmante regularidade.  O que Sanna está escondendo?  – não deu tempo, neste livro, de explicar muito bem, qual a verdadeira personalidade de Sanna, ou porque ela se comporta de tal ou dessa maneira.  Como teremos continuações com Rebecca (The Blood Spilt, The Black Path, Until thy wrath be past. – resenhas em breve), espero que mais seja abordado.  Sanna é uma personagem fascinante.

Nesse ponto do livro, devo destacar a habilidade da escritora, em criar a atmosfera enregelante e isolada da localidade onde os fatos se passam, para evocar as vidas interiores dos membros da tal igreja.

Gente, onde será que fica a tal Kiruna, onde as pessoas andam de trenó e comem carne de rena?  Fica no norte da Suécia, na Lapônia, terra do Papai Noel.

Não gosto de livros que falam de maus tratos a animais – aguento qualquer serial killer, mas não aguento uma cachorrinha sofrendo como a Virku sofreu.

Entretanto, o gato Manne, do policial Sven-Erik me agradou: ele acorda caminhando sobre o corpo de seu dono, miando, colocando a pata na sua bochecha, em seu cabelo e coçando sua testa, até ele acordar. – a nossa gatinha, Babi, faz igualzinho.

Como assim, freiras ajudando, oficialmente, em abortos? Na Suécia o aborto é legal? (pág. 240)

“Este livro deixou o escritor Stieg Larsson acordado uma noite inteira.” – Sköna Hem (faturando em cima do falecido escritor, também sueco, da trilogia Millenium, que não pode desdizer o comentário – resenhas no blog: https://houseofthrillers.wordpress.com/category/stieg-larsson/– não corram, com isso, para ler todos os autores de thrillers suecos – só há um Stieg Larsson – e esse não é parente da escritora do livro que está sendo resenhado.

Ninguém me explicou muito bem porque que o corpo de Viktor foi tão mutilado.  Ritual de magia negra baseado em citações bíblicas, para encobrir falcatruas de caixa 2 da igreja? – humm – meio demais, mesmo para uma sociedade tão organizada quanto a escandinava.

Aliás muita coisa ficou meio sem explicação, num final vertiginoso e corrido, …para terminar logo o livro porque tenho um limite de páginas ou …porque tenho um prazo para entregar o original ou …porque não consigo explicar mesmo tudo da minha trama, ou … porque…

Äsa Larsson

parte do filme sobre o livro:Äsa Larsson nasceu em Kiruna, Suécia, em 1966.  Aurora Boreal venceu o prêmio sueco de Melhor Primeiro Romance Policial.  O segundo romance de Äsa, “The Blood Spilt”, foi publicado em 2008.Acompanhe a escritora em seu Twitter: http://twitter.com/#!/asa_larsson

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