O aliciador (The whisperer) – Donato Carrisi

Publicado: 12 de janeiro de 2013 em Donato Carrisi
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Editora: Record

“Deus é silencioso. O diabo susurra.” – Mila Vasquez

            Seis braços amputados são descobertos enterrados numa clareira de uma floresta, arrumados em círculo.  Parecem ser das 6 meninas entre 7 e 13 anos que estão desaparecidas – mas onde estão os corpos?

            O criminologista Goran Gavita, um homem devastado após o abandono de sua mulher e que, aparentemente, cria sozinho o filho pequeno, comanda o caso e é forçado a trabalhar com uma jovem policial, Mila Vasquez, que tem a reputação de ser especialista em encontrar crianças perdidas.

                                    Ela também tem uma estória trágica, que a transformou para o resto da vida, deixando-a incapaz de se relacionar com outros adultos.

            O relacionamento que surge entre eles é estranho – e eles vão descobrindo seus próprios segredos, à medida que suas vidas estão cada vez mais, nas mãos do criminoso.

            Criminoso este que somente descobrimos nas últimas páginas do livro, tinha como perfeita a técnica de Iago, em Othelo: a aplicação da necessária pressão psicológica, na medida certa para provocar alguém a cometer um ou vários assassinatos.

Mas, como diz Mila: “Se tem uma coisa que aprendi, é que a escuridão te chama e te seduz.  E é muito difícil resistir a tentação.  Quando eu saio com a criança que consegui resgatar,, estou consciente de que não estou sozinha.  Há sempre alguma coisa que também nos acompanha, grudada em nossos sapatos.”

Sempre se aprende alguma coisa, mesmo em thrillers policiais:

  • A presença de corpos enterrados no subsolo, tem efeito sobre a vegetação que nasce no local, pois o terreno se enriquece com as substâncias orgânicas derivadas da decomposição.
  • A tendência instintiva de dar formas familiares a imagens desordenadas, como nuvens, constelações ou flocos de aveia numa xícara de leite, se chama pareidolia.  Nos grupos esotéricos, é chamado de teimancia (leitura da borra de chá) e cafeimancia (leitura da borra de café).

Muitos consideram, erradamente, que os serial killers são movidos sempre por motivações sexuais.  Na realidade:

  • Há os visionários – dominados por um alter ego do qual recebem instruções sob a forma de “vozes”;
  • Há os missionários – dominados por uma responsabilidade autoimposta, pela melhoria do mundo que os cerca, eliminando prostitutas, infiéis, advogados…;
  • Há os caçadores de poder – sua satisfação vem do controle da vida e da morte de suas vítimas, como instrumento de humilhação;
  • Há os hedonistas – matam apenas pelo prazer de matar.  Possuem propósitos sexuais; e
  • Há os matadores subliminares (e este é o tema do livro: the whisperer – título do livro) – conseguem entrar na mente de outros e os induzir a matar por eles.  Não podem ser incriminados nem punidos, por não haver nada que prove o seu envolvimento nos crimes cometidos por seus discípulos.  Charles Manson levou os membros de sua “família” a perpetrar o massacre na casa do diretor de cinema Roman Polanski, que culminou com a morte de sua esposa Sharon Tate, que estava grávida do primeiro filho do casal.  Em 2005, o japonês Fujimatzu conseguiu convencer através da Internet, 18 pessoas conhecidas e espalhadas pelo mundo, de idade, sexo, condição financeira e social diferentes, a tirar a própria vida, no dia de São Valentim.

Me pergunto: Uma mulher tão rica quanto Lara Rockford não poderia fazer uma cirurgia plástica para corrigir a enorme cicatriz que trazia no rosto?  Ou era sua forma de conseguir a atenção da família?

“O mal sempre pode ser demonstrado, o bem nunca. Porque o mal deixa traços de si quando passa, enquanto o bem só pode ser testemunhado.” – Nicla Papakidis

Este thriller tomou a Itália de assalto, assim como os de Giorgio Faletti, como Eu mato,  Eu sou Deus, e o novo Memórias de um Vendedor de Mulheres(resenhas no blog:  https://houseofthrillers.wordpress.com/category/giorgio-faletti/ ).

Os italianos estão ficando bons nisso!  Donato Carrisi transformou-se na sensação do momento e cativou o resto do mundo.

Este livro é daqueles que não se consegue deixar de lado para dormir – essa noite só consegui dormir quando terminei de ler às 3 e meia da manhã…

O Skoober Cláudio Schamis, também resenhou o livro, em 13/02/2011 – A sinopse do livro é um convite para você abrir o livro e não parar. Isso acontece? Sim. Mas durante uma passagem e outra o livro parece que perde aquele encantamento, mas nada que não seja recuperado quase em seguida. Fica então até uma outra dica: não desista.  Um livro que faz com que pensemos que apesar de ser uma ficção, ele não chega a ser em nada inverossímil. Infelizmente chegamos hoje a esse ponto, de realmente existirem pessoas capazes de barbaridades como essa tornando para elas o valor da vida algo banal. O que pode até incentivar a que nós leitores possamos até refletir e pensar o que podemos fazer para que crimes como esses parem de ocorrer. Solução sempre há. Menos para a morte.

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