Arquivo de abril, 2013


51zY7Dut3-L__BO2,204,203,200_PIsitb-sticker-arrow-click,TopRight,35,-76_SX240_SY320_CR,0,0,240,320_SH20_OU01_AS_MEMORIAS_DO_LIVRO_1226438532P “No lugar onde se queimam livros, no fim se queimam homens.” – Heinrich Heine

Em primeiro lugar, devo a leitor, uma confidência: dei esse livro de presente para uma amiga querida em seu aniversário – e assim que ela o leu e me emprestou, cheia de elogios, logo quiz roubá-lo de volta.  Mas me conformei em ler e resenhar.

Um dos primeiros códice judaicos religiosos a serem ilustrados com imagens, numa época em que os judeus não admitiam ilustrações de nenhum tipo (iconoclastas), a Hagadá de Sarajevo, criada na Espanha do século XV, sobreviveu a séculos de expurgos e guerras, graças a pessoas de várias crenças, que arriscaram suas vidas para salvá-lo.

A premiada escritora Geraldine Brooks transforma essa a intrigante história desse precioso volume, já considerado desaparacido, inspirada em fatos reais, em um thriller emocionalmente rico.

Já de cara gostei – fui brindada com um mapa ilustrando a trajetória do livro – para acompanhar a leitura ou voltar ao final dela, para poder entender melhor, suas memórias.

A autora já me ganhou logo nos primeiros capítulos com a descrição detalhada das sensações do primeiro e delicado toque da restauradora/conservadora (como ela mesma gosta de se intitular) australiana Hanna Heath, na Hagadá de Sarajevo – os pergaminhos, a lombada, as cores das iluminuras, as pequenas lembranças que o códice guardava, como um segredo – a asa de uma borboleta, os cristais de sal marinho, o fragmento de pena, o pelo de gato, a mancha de sangue e de vinho.

Nas mãos protetoras de Hanna Heath, em 1996, acompanhamos os cruciais momentos da história da Hagadá, através de fascinantes pequenas estórias de amor e de ódio, que celebram o poder das idéias.

A estória se desenvolve em duas direções temporais:

No presente, acompanhamos a audaciosa restauradora em seu primeiro encontro com o livro, e a ajudamos a descobrir seus mistérios.  Ao mesmo tempo, ela conhece Ozrem Karaman, um bibliotecário muçulmano, que o salvou de virar pó, durante um ataque à Biblioteca de Sarajevo.  O previsível clima romântico que começa entre eles, nos traz prazeres e surpresas genuínas, assim como o difícil relacionamento de Hanna e sua mãe, a neurocirurgiã Sarah Heath.  Aos poucos, fui conhecendo o paradeiro dos fechos de prata, a trajetória das ilustrações nos pergaminhos, a razão da encadernação apressada e tosca.

Nessa trajetória, achei desnecessário o melodrama mexicano que se interpõe à delicada narrativa, quanda a protagonista descobre a verdade sobre sua família.

Um muçulmano arriscando o pescoço para salvar um livro hebreu…

Enquanto isso, a minha frente, durante a outra narrativa, no passado, se desenrolava a história das religiões na Idade Média, na época da Convivência e relativa paz entre judeus, muçulmanos e católicos; a luta contra a terrível Inquisição espanhola de Tomás de Torquemada; o significado da mulher moura pintada de açafrão numa cena familiar.  Para mim, como historiadora, as melhores partes do livro, acompanhei a luta de uma jovem judia (Lola) para escapar dos nazistas, durante a Segunda Gerra Mundial; um duelo entre um Censor alcoólatra da Santa Inquisição e um Rabino judeu viciado em jogos de azar, que viviam na Veneza da época da expulsão dos judeus da Espanha; e o apaixonado relacionamento de uma garota moura com sua ama, num harém muçulmano.  Cada cena nos leva à longa história de anti-semitismo no mundo e à luta das mulheres que buscavam sua liberdade – coisa que a heroína Hanna também buscava.

O leitor faz uma viagem pela Sarajevo de 1996 e 1940, Viena de 1894, Veneza de 1609, Tarragona de 1492, e Sevilha de 1480.

Os horrores do passado se repetem no presente – avisos para as novas gerações, sobre a inclinação do Homem de destruir o que não entende.

Fiquei surpresa com a quantidade de elementos envolvidos na restauração/conservação de uma relíquia como aquela – e com minha enorme ignorância no assunto – pergaminhos feitos de pele animal, pigmentos coloridos moídos de pedras preciosas e minerais raros, instrumentos e equipamentos de alta geração.

Ao final do livro, no posfácio, fiquei sabendo da história real por trás da estória que acabava de ler – o heróico bibliotecário britânico muçulmano que o salvou, durante a Guerra da Bósnia.

Geraldine Brooks nos mostra como o destino da Hagadá ultrapassou o preconceito e a perseguição, que envenenaram as cidades e as nações, através do mundo, numa trama habilidosamente bem construída – uma maravilha de contação de estórias.

O que me faz retornar ao primeiro parágrafo desta resenha: – será que minha amiga de devolve o presente?  Acho que não, vou comprar o meu exemplar.

“Aqui repousa a flor de um povo que sabe morrer.” – inscrição no Memorial à Segunda Guerra Mundial, na Bósnia.

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INDIANA_JONES_AND_THE_KINGDOM_OF_THE_CRY_1297473724PSeu nome é Jones.  Indiana Jones.  E está de volta.

O arqueólogo favorito está de volta com suas aventuras eletrizantes, contando com seus instintos e a força bruta, para sair das armadilhas que o destino lhe prepara.

Mas ele não é um simples arqueólogo: da lendária Arca da Aliança ao lendário Santo Graal, ele tem descoberto os artefatos mais interessantes do mundo, enquanto luta contra os piores vilões e desafia os perigos mais temíveis.

Estamos em 1957 (o ano em que eu nasci!), a era atômica está engatinhando.  Mas para Indiana Jones, a Guerra Fria torna-se quente quando sua última expedição é confrontada com um grupo de soldados russos, comandados por um coronel sinistro, que invade solo americano, massacra soldados americanos e invadem um abrigo ultra-secreto do governo americano.

O objetivo deles é uma relíquia ainda mais preciosa e mais poderosa que a Arca da Aliança, capaz de desvendar segredos além da compreensão humana.

Mas Indy é “O herói americano”.

O raciocínio rápido de Indiana o ajuda a escapar das situações perigosas e salvar sua própria vida. (mais…)


                 61WAZKS9QAL__BO2,204,203,200_PIsitb-sticker-arrow-click,TopRight,35,-76_AA300_SH20_OU01_A_MUMIA_1248044840PEditora: Rocco

                        O leitor é cativo e seduzido…

Numa estória de horror e romance, Ramsés O Grande acorda na Londres Edwardiana de 1914.

Depois de ter bebido um elixir da longa vida, roubado de uma princesa hitita, ele agora é Ramsés o Maldito, amaldiçoado para vagar pelo mundo, para sempre, desesperado para matar seus desejos insatisfeitos.

Ramsés, depois de beber o elixir, simulou sua morte e vagou pelo mundo até conhecer a legendária Cleópatra – mas a perdeu para Marco Antonio.

Apesar de perseguir a aristocrata Julie Stratford, a mulher que ele deseja é Cleópatra.

E esse seu desejo intenso, que cresce com os séculos, irá força-lo a cometer um ato que irá colocar a todos a sua volta, num grande perigo.

Anne Rice se utiliza para a história das múmias, da mesma magia usada no mundo e mitologia dos vampiros e bruxas.  Ela deixa seus seres noturnos por outro tipo de mortos vivos.

Lawrence Stratford descobre a múmia de Ramsés II, mas não tem tempo de desvender seus mistérios – Lawrence é assassinado por seu sobrinho Henry, e a múmia é embarcada para Londres. (mais…)


51OeSGGIQrL__BO2,204,203,200_PIsitb-sticker-arrow-click,TopRight,35,-76_AA300_SH20_OU01_O_CODIGO_DOS_JUSTOS_1255629831PEditora: Record

“Já li alguma coisa parecida… e vocês?”

Gostei logo do inicio livro – o protagonista Will Monroe, repórter do New York Times,  mora em Spokane, no estado de Washington, mesma cidadezinha onde mora a minha sogra, Vitória.

Bom, vamos ao enredo deste thriller de conspiração religiosa:

O fim do mundo está chegando!

Dois assassinos: um,  nas ruas de Nova Yorque e outro nas florestas de Montana.  Uma série de mortes acontece: da Índia às praias de Cape Town.  Sem aparente conexão, porém os dois tinham um segredo…

A vítima de Nova Yorque era um cafetão morto a facadas, que tinha um coração de ouro (A righteous man – título do livro em inglês).

A bela esposa de Will, Beth, é raptada por homens que parecem ser assassinos sem piedade, e sem motivo.  Como não pode avisar a polícia ele resolve investigar seu paradeiro sozinho.

Com as mortes se sucedendo, o tempo se esvai…

Desesperado, Will segue uma trilha que leva a uma seita hassídica misteriosa de seguidores de uma fé milenar, com sede em Crown Heights, no Brooklyn.  Ele terá de vagar através de múltiplas camadas de misticismo e profecias antigas, descobrindo pistas escondidas na Bíblia, até descobrir um segredo de milênios, do qual o destino da humanidade depende para impedir o Armagedom….

– Já li alguma coisa parecida… e vocês?

Com os membros da seita, Will ouve, pela primeira vez, a lenda judaica dos 36 homens de bem cujos atos permitem que o resto da humanidade sobreviva – e descobre porque todos eles estão sendo mortos.

O_ACERTO_FINAL_1273683875PEste é o primeiro thriller de Sam Bourne, pseudônimo do escritor Jonathan Freedland.  Já lemos, anteriormente, O acerto final – que é muuuuuuuito bom (resenha no blog: https://houseofthrillers.wordpress.com/2011/06/25/o-acerto-final-the-final-reckoning-sam-bourne/ ) – parece que ele melhorou muito seu estilo, depois desse primeiro livro.

Este foi um dos thrillers mais fracos e desinteressantes que li nos últimos meses.

As pistas e códigos são bastante chatas – na boa!

Os dizeres, citações e provérbios que alguém  manda por SMS para o celular de Will, são uma coisa horrível de idiotas…

Clichês puros…

Que fim levaram os dizeres cifrados ou códigos encriptografados das boas tramas de sustpense?

Tipo: Pra frente é que se anda, A dúvida é o principio da sabedoria, A felicidade não bate duas vezes à mesma porta, Um amigo em necessidade é um amigo de verdade, Ao vitorioso os despojos, As parências enganam, Diga-me com quem andas e te direi quem és, O grande carvalho brota da pequeia bolota, Uma corrente não é mais forte que elo mais fraco, Os números não mentem jamais…

Tii_cover_PORT menorTodo mundo continua esperando o segundo advento – esperam que seu líder religioso revele a si mesmo, se erga dos mortos e lhes diga que tudo vai ficar bem.  (Se desejar ler mais sobre o tema; leia os 4 últimos capítulos de meu livro: Tii, a saga de uma alma imortal.  (http://www.perse.com.br/novoprojetoperse/WF2_BookDetails.aspx?filesFolder=N1346779068464).

Mais um livro que menciona o Brasil como um destino de sonhos – bons ou ruins.  E neste, um dos alvos do assassino fanático reliogioso vive no Morro de Dona Marta, no Rio de Janeiro.  Pelo menos o escritor descreveu o cenário de uma favela carioca, com tintas bem reais e verdadeiras.

Ôoopa! Até que enfim alguma coisa interessante: a árvore da vida da Cabala.

Pelo menos a protagonista é fã de Vermeer – uma coisa boa ela tem, né?

Interessante: o demônio tzaddik não domestica sua alma animal.  Ele a transforma numa força para o bem.

Até o protagonista tem um comportamento que não combina com seu status de mocinho: enquanto a mulher está sequestrada, ele se volta para a ex-namorada.  Depois, fica se martirizando por isso – e nós, leitores, também.

Ao final do livro, o autor coloca algumas questões que realmente são verdadeiras.  Não são ficção.

  • Os 36 indivíduos cuja virtude sustenta o mundo, qual a imagem do gigante Atlas, é uma tradição judaica.
  • A estória do cafetão que vende seus bens todos para ajudar uma mulher a pagar a fiança do marido preso, aparece  no Talmude palestino e remonta ao século III.
  • A câmara dos segredos da vítima do Haiti, existiu no Templo de Salomão em Jerusalém de 953 a.C. – o ato de doação não deve acarretar glória nem humilhação para os envolvidos.
  • A comunidade hassídica de Crown Heights realmente existe e ainda deplora a perda de seu rabino anos atrás.
  • Por fim a teologia da substituição e o superssionismo não são invenções – segue o link para o verbete da Wikipedia sobre o tema. http://pt.wikipedia.org/wiki/Teologia_da_substitui%C3%A7%C3%A3o .

a“Não há nada mais convincente de uma aparente inocência, do que uma falta triunfante de álibi.” – Louis Peyton (em O sino cantante)

            Mistérios seguem princípios científicos e o constante exercício das chamadas células cinzentas (Hercule Poirot), para misturar as pistas e chegar à solução.

Alguns detalhes, entretanto, especificamente alienígenas, estão um tanto defasados, já que o livro foi escrito antes de 1970.  O que não atrapalha em nada, a qualidade das estórias, apesar de não apresentarem pitadas de sexo ou violência.

Asimov sempre teve a habilidade de apresentar os conceitos científicos mais esotéricos, de uma forma de fácil entendimento.

Ele escreveu seu primeiro mistério/sci-fi em 1954, com The caves of steel.

Ele não tenta enganar o leitor com um final solucionado através de uma lei da natureza qualquer, que seja do total desconhecimento do público leigo.  Todo conhecimento científico necessário para a solução dos mistérios, é fornecido e mencionado (embora sutilmente), pelo autor, durante a construção do texto.

Os comentários do autor, que abrem ou encerram cada estória, às vezes são mais interessantes que a própria trama.

Wendell Urth aparece várias vezes no livro, em estórias diferentes.  Ele é um tipo de detetive-cientista sedentário, que é chamado para solucionar casos em que é necessário um maior conhecimento específico sobre extraterrestres.  Urth é lógico, inteligente e carrega um pouco da própria personalidade de Asimov. (mais…)