INFERNO_1364528330PNesse lugar, nessa data, o mundo mudou para sempre”… – e minha opinião sobre Dan Brown também!

                “Com este livro, fico feliz de conduzir os leitores numa jornada profunda pela fronteira misteriosa dos códigos, símbolos e passagens secretas.” – Dan Brown

Esta é a sinopse do livro:

Na Itália, o professor de simbologia de Harvard, Robert Langdon, se envolve com uma das maiores e mais misteriosas peças literárias do mundo: A divina comédia, de Dante Aliguieri.

Com este pano de fundo, Langdon luta contra um terrível adversário, cercado de arte clássica e ciência.  Guiado pelo poema épico de Dante, Inferno (século XIV), Langdom tem de descobrir respostas e decidir em quem confiar, antes que a humanidade seja dizimada.

Vamos, pois, à trama:

Robert Langdon acorda num hospital em Florença, com uma ferida na cabeça e sem memória recente.  Sienna Brooks, a médica que o está assistindo, conta que ele sofreu um atentado a bala e uma concussão cerebral.  Logo, uma atiradora mercenária o encontra no hospital (Vayentha), forçando Sienna a fugir com o professor, para sua casa.

Noomi Rapace como Lisbeth Salander, na 1a versão do filme - eu acho essa caracterização sensacional!

Noomi Rapace como Lisbeth Salander, na 1a versão do filme – eu acho essa caracterização sensacional!

Abre parênteses: Robert Langdon foi atingido por uma vilã deslavadamente parecida com a Lisbeth Salander da série Millenium, do Stieg Larsson (resenhas no blog: https://houseofthrillers.wordpress.com/category/stieg-larsson/). Magra? Cabelo espetado?  Motocicleta?  Roupa de couro? OK!!!  Fecha parênteses.

Langdon descobre que carrega um cilindro que possui um símbolo de veneno biológico, e avisa o consulado americano em Florença.  Tanto a atiradora quanto um misterioso exército o encontram.  Então, Langdon começa a desconfiar de seu próprio governo.a

Robert abre o cilindro e descobre um projetor de imagem, altamente moderno, que mostra o quadro de Botticelli: O mapa do inferno, com as palavras “The truth can be glimpsed only through the eyes of death” (A verdade só pode ser vislumbrada através dos olhos da morte).

Sandro_Botticelli_-_La_Carte_de_l'Enfer

E esses olhos são os da máscara mortuária de Dante Aliguieri, pertencente ao bilionário geneticista Bertrand Zobrist, um inimigo de Elizabeth Sinskey, diretora da Organização Mundial de Saúde, que contrata Langdon para descobrir onde está escondido o tal veneno.

Zobrist comete suicídio logo nas primeiras páginas do livro, porém havia contratado uma empresa chamada The Consortium, para proteger seus segredos até a data em que decidira liberar um vírus que contaminaria toda a população mundial, que seria reduzida a 1/3 de seu total, numa tentativa de conter o desenvolvimento exponencial da superpopulação na Terra.  A raça humana, conseqüentemente, seria forçada a uma nova era de autoconhecimento.

Dá pra sentir a mão de Dan Brown pesando a favor da solução final, no caso de superpopulação – mas não sei…  ainda acho que a própria natureza vai dar um jeito: ‘When every province of the world so teems with inhabitants that they can neither subsist where they are nor remove themselves elsewhere . . . the world will purge itself.” — Nicolo Machiavelli.

O Consortium é uma empresa misteriosa, que trabalha para quem pagar mais, para fazer seja lá o que for preciso, sem maiores perguntas.  No caso, o empregador já está morto (Zobrist), mas… que fazer, né?  (Mais adiante, nesta resenha, eu falo sobre uma empresa que é, inclusive mencionada no livro, e que atua como o tal Consortium).

Bertrand Zobrist é um gênio louco obcecado pelo trabalho de Dante Aliguieri e o principal antagonista da trama, apesar que quase não aparecer fisicamente. Esse bilionário preocupado com a sobrevivência da raça humana, instala um virus de ação rápida, num local desconhecido.  Depois de todo o trabalho de desenvolver o tal vírus e de escondê-lo, por alguma razão inexplicável, deixa várias pistas, por toda a Itália, usando textos do Inferno de Dante, como guia para Langdon.  Por que ele faz isso?  Boa pergunta!

Langdon e Sienna fogem para vários pontos turísticos e históricos, de Florença e Veneza, na Itália, a Istambul na Turquia, onde pensam encontrar a chave para o mistério, numa corrida contra o tempo.  Se o leitor for visitar Florença, não se esqueça de levar o Inferno, como guia turístico.

Felicity Sienna Brooks ajuda Langdon a encontrar o virus criado por Zobrist, mas seus relacionamentos passados a tornam suspeita, até o final do livro.

A trama é recheada de literatura medieval, intrigas internacionais, fatos históricos e factóides, símbolos antigos, organizações secretas, nova ordem mundial, teorias conspiratórias, e alta tecnologia.  Bom, eu AMO tudo isso!

botticelli_41_portrait_of_danteINFERNO_1366656247BAbre parênteses, de novo: a capa é diferente nos Estados Unidos e na Inglaterra – não sei porque!  Entretanto, ambas mostram a imagem mais conhecida do poeta Dante Alighieri e o cenário da cidade de Florença.  Fecha parênteses.

A citação de abertura diz: “os lugares mais escuros do inferno estão reservados para aqueles que mantém sua neutralidade, em tempos de crise moral” – exatamente por isso, sou obrigada a explicar porque não gostei do livro.

Se o leitor quer um bom entretenimento para passar seu tempo, leia o livro – mas se quer boa literatura, com substância, é melhor procurar em outro lugar.  A fórmula de Dan Brown é sempre a mesma: Robert Langdon se acha numa situação após ter sido chamado para dar sua opinião acadêmica – Langdon se vê, subitamente, envolvido numa complicada trama que põe em risco o destino da humanidade – Langdon viaja pelo mundo procurando pistas, sempre com a companhia de uma bela e solitária cientista.  É basico.  O fato das ações de Langdon não fazerem absoluto sentido, no mundo normal, como o conhecemos, deve ser superado.

Langdon e Sienna descobrem passagens secretas, abrem portas trancadas há séculos, fogem de helicópteros, descobrem cavernas antigas – tudo isso depois de sair do hospital, supostamente com uma bala dentro do crânio, sem se lembrar de nada do dia anterior, e sem saber porque estava na Itália.

O_PENDULO_DE_FOUCAULT_1263584430PDan Brown vai demorar para ganhar algum prêmio de literatura (definitivamente, não é um Umberto Eco – resenha de O pêndulo de Foucault, no blog: https://houseofthrillers.wordpress.com/2011/10/15/o-pendulo-de-foucault-foucaults-pendulum-umberto-eco/ ), mas acredito que vários dos ganhadores desses prêmios, gostariam de ter os números de venda e lucro, de Brown.

Vejam bem – eu li todos os livros de Dan Brown (resenhas no blog: https://houseofthrillers.wordpress.com/category/dan-brown/ ) e gostei muito de O código da Vinci, Anjos e Demônios e o símbolo perdido – mas não gostei de Fortaleza Digital, muito menos de Ponto de Impacto.  Só que, nem, eu TINHA de ler este livro, que todo o resto do mundo estava lendo – mas não preciso, necessariamente, concordar com o resto do mundo.

Eu estava muito, mas muito ansiosa mesmo, pelo lançamento – e quando meu marido me ligou dizendo que estava numa livraria, e que tinha comprado o livro, fui ao céu e voltei.  Que decepção!

Eu AMO thrillers (senão, qual a razão desse blog?).  E Dan Brown possui as habilidades básicas para escrever esse gênero de literatura – uma estória que avança de forma ininterrupta, através de capítulos curtos, perfeitos para uma leitura na praia ou durante um vôo – totalmente a favor.  Um mistério, pistas em cada capítulo, tramas e intrigas…  Além disso, como professora de História da Arte, tinha um prato cheio nas mãos – cheio demais, sinto dizer.  Confesso que em certos momentos, entediei-me e me vi passando algumas páginas para continuar acompanhando a estória central.  Muito didático – mas ficou chato com o passar das páginas – explica demais – prefiro o mistério com gosto de menos informação e mais imaginação.

Fiquei com a impressão de que Dan Brown tinha lutado com o livro, procurando frases e parágrafos de efeito, de forma a preencher um imenso número de páginas, e justificar sua publicação.

Posso ver o filme com Tom Hanks, sendo montado, mas também posso ver Dan Brown arquitetando o livro, dividindo-o em partes – o que colocar ou não – o que não pode deixar de aparecer – uma pitada disso, uma pitada daquilo.

O livro é todo uma imensa aula de História da Arte, com trabalhos de Vasari, Botticelli, Rodin, e outros mestres da pintura e da escultura.  O House of Thrillers, oferece imagens, abaixo dessa resenha, para os amigos leitores mais curiosos.

imagesCA5N12HCAh! Gostei muito de saber que a minha amada Loreena McKennitt também é a artista favorita de Robert Langdon.  Pelo menos tem muito bom gosto!

Ve… sorry.  Ve… sorry = Va… sari, Vasari. – tá forçando demais a barra, Dan Brown!

Curiosidades:

Site oficial do livro: http://www.danbrown.com/inferno/ .

Site que mostra os segredos escondidos sob Hagia Sophia: http://www.hurriyetdailynews.com/default.aspx?pageid=438&n=diving-into-the-secrets-of-hagia-sophia-2009-08-04 .

FM-2030 - Fereidoun M. Esfandiary

FM-2030 – Fereidoun M. Esfandiary

O transhumanista mencionado no livro, existiu realmente e tem até verbete na Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/FM-2030  .

FM-2030 (1930-2000) foi um filosófo futurista chamado Fereidoun M. Esfandiary, que escreveu o livro “Você um Transhumanista?, publicado em 1989, além de uma série de obras de ficção.  Transhumanismo (abreviado como H + ou H +) é um movimento cultural e intelectual internacional com o objetivo de transformar, fundamentalmente, a condição humana, através do desenvolvimento; e de tornar as tecnologias amplamente disponíveis para aumentar consideravelmente as capacidades humanas intelectual, física e psicológica. O estudo Transhumanista envolve as questões éticas no desenvolvimento e utilização das tecnologias. Ele previu que os seres humanos podem, eventualmente, se transformar em seres com habilidades expandidas, de modo a merecer o rótulo de “pós-humanos”. Influenciada por obras da ficção científica, a visão transhumanista de futuro, atraiu muitos adeptos; mas, também, detratores. O Transhumanismo tem sido caracterizado como uma das idéias mais perigosas do mundo, já que simboliza as aspirações mais ousadas, corajosas, imaginativas e idealistas da humanidade.

O Consortium existe mesmo – pelo menos não com esse nome:  A Alibi Network –  http://www.alibinetwork.com/index.jsp – reconhecida internacionalmente.  Alibi Network é uma empresa que oferece álibis e desculpas para todos os fins, bem como a assistência com uma grande variedade de questões que podem complicar a vida do cliente. Se você estiver envolvido em assuntos complicados ou você é casado e deseja apimentar seu relacionamento, eles tem a solução. Se você está interessado em uma desculpa de um médico para faltar ao trabalho, um seminário virtual para esconder seu caso discreto ou precisa colocar um telefonema discreto em seu nome, eles vão dar o apoio necesário.  – Vichi!.

“Ela sabia que era, provavelmente, apenas a adrenalina, mas encontrou-se estranhamente atraída pelo professor norte-americano. Além de ele ser bonito, ele parecia possuir um bom coração. Em alguma vida alternativa, Robert Langdon poderia até ser alguém que ela poderia ficar. – Sienna BrooksParte superior do formulário

Sou tradutora, portanto, não poderia deixar de passar em branco, os detalhes que li na Revista Veja, sobre a operação de guerra que foi a tradução do livro: Sobre o trabalho de tradução do livro:

Durante dois meses, 11 tradutores de diferentes nacionalidades foram escondidos em um “abrigo” perto de Milão, onde trabalharam sob a mais estrita segurança para traduzir o novo livro de Brown para o francês, alemão, italiano, português, e outras línguas, para seu lançamento simultâneo em 14 de maio de 2013. Quando chegaram, em fevereiro de 2012, foram colocados em uma espécie de “quarentena”: seus telefones celulares foram confiscados e eles receberam instruções de não revelar nada sobre o enredo do livro. Para evitar vazamentos para o mundo exterior, os tradutores tinham acesso limitado a computadores, foram proibidos de levar quaisquer cadernos ou papéis para fora do “abrigo”, e tinham que entregar os manuscritos em que estavam trabalhando, todas as noites. Microônibus os transportavam para os hotéis onde estavam hospedados, acompanhados por seguranças; e comiam em uma cantina na sede da Mondadori, a editora italiana, que é de propriedade do político Silvio Berlusconi. Cada um recebeu uma espécie de reportagem de capa, para oferecer a quem mostrava muita curiosidade sobre o que eles estavam fazendo durante todo o dia, naquele “abrigo”. Eles trabalharam longas horas, durante sete dias por semana, e quase nada viram de Milão. As medidas de segurança extraordinárias e a estranha experiência dos tradutores foram reveladas em entrevistas para uma revista italiana, a TV Sorrisi e Canzoni, que é de propriedade da Mondadori. Carole Del Porto, um tradutor francês, disse: “O tempo do lado de fora foi essencialmente reduzido a nada – almoço, jantar e dormir.  Mas foi uma experiência única – uma rara oportunidade de trabalhar em grupo, em imersão total no mundo de Dan Brown.”

O_PERFUME_1230877273PQuando li o trecho passado na passarela de Vasari, me lembrei de cenas do filme baseado no livro: O perfume, com Dustin Hoffman (resenha no blog: https://houseofthrillers.wordpress.com/2013/01/19/o-perfume-perfume-the-story-of-a-murderer-patrick-suskind/ ).

1O Rod de Asclepius (usado por Elizabeth Sinskey), é um dos símbolos da profissão médica. Asclepius era um médico que praticou as artes da cura, na Grécia,  em 1200 a.C. Asclepius teria aprendido com o centauro Chiron. Tornou-se tão hábil que foi dito que ele poderia até mesmo trazer os mortos de volta à vida. Com o tempo, Asclepius (Esculápio) passou a ser considerado como o deus da cura, e foi amplamente adorado no mundo greco-romano. As escolas médicas do mundo clássico, muitas vezes eram ligadas aos templos ou santuários chamados de Asclepions, dedicados a Esculápio.  O símbolo de Asclepius é uma única serpente rodeando um galho de árvore. Asclepius era tradicionalmente descrito como um homem barbudo segurando um bastão com a sua sagrada serpente enrolada. A serpente simboliza a renovação, porque troca de pele.

A   máscara usada pelos médicos na época da Peste Negra Lukas Troberg – rindo até agora com a desconcertante sensação de Langdon ao ver   essa “obra de arte”.
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Santa Lucia e seus belos olhos O túmulo de Beatrice Portinari com a cesta de pedidos de amor

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Gustave Doré Canto III: The gate of Hell. “Abandon all hope ye who enter here” (Abandonem toda a esperança, aqueles que aqui entram). – esse foi o meu sentimento…

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