Morte na FLIP – Paulo Levy

Publicado: 15 de junho de 2013 em autores brasileiros, Paulo Levy
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MORTE_NA_FLIP_1375367241PUm livro que tem a capacidade de fazer com que nos envolvamos com a vida do protagonista, e nos tornemos amigo dele.

                        No segundo romance policial do escritor Paulo Levy, o delegado Joaquim Dornelas usa, mais uma vez, seu faro policial, para desvendar mais um complicado crime, com a ajuda de sua equipe de investigadores (Solano, Caparrós, Peixoto), cuja participação foi bem ampliada.

Voltando para casa em Palmyra, tarde da noite, Dornelas tem a sensação de que está acontecendo ou vai acontecer algo de errado num barco suspeito, que invade o mar.

Dito e feito, ocorre a morte violenta de uma autora mundialmente conhecida, durante o período da FLIP, um dos eventos literários mais famosos do mundo.

Gytha Svensson (ou Geórgia Summers) é escritora de romances de banca melados, com estórias de paixões ardentes e sonhos impossíveis, com títulos como: Paixão no Olimpo; era uma das principais atrações estrangeiras da FLIP; e foi morta com vários golpes de uma arma ainda não identificada.

É também encontrado o corpo do marinheiro do tal barco suspeito, aparentemente, vítima de um acidente.

Assim se desenvolve a trama de Morte na FLIP – um livro que tem a capacidade de fazer com que nos envolvamos com a vida do protagonista, e nos tornemos amigo dele, a ponto de torcermos por seu romance com a legista-chefe do Instituto Médico Legal da região, Dulce Neves, que vai muito bem, obrigado.

Desde o Crime do Mangue, Dornelas havia se transformado numa celebridade na cidade.  É homem, pai, delegado, amante, ex-marido, dono do cachorrinho Lupi, e ser humano. Cheio de atitudes, manias, erros, problemas, equilíbrio e emoção, sua caracterização é extremamente real, e leva o leitor a seu dia-a-dia, na dose certa.

Seus vícios – barras de chocolate ao leite e novelas. Aliás, esse livro aborda mais intensamente seu vicio por chocolate, mostrando sua prática metódica de guardar as barras escondidas na gaveta, para, de quando em quando, quebrar quadradinhos e deixá-los derreter na boca.  Um combate à ansiedade!

Dornelas estreita os laços com o filho adolescente que atualmente mora no Rio de Janeiro – laços esses que a ex-mulher estaria querendo reatar. – Mas logo agora que o romance com Dulce, vai de vento em popa?

Nesse livro ficamos sabendo um pouco mais sobre o investigador Peixoto – adorador dos microfones e câmeras de televisão – porém avesso à responsabilidade paterna e ao choro de bebês.

Conhecemos a morena fogosa Madalena Brasil, e o garçon Marquinhos, fã de Ernest Hemingway.

Mas, que diabos será o tal “ganso” que o investigador Caparrós contratou, para auxiliar na investigação?

REQUIEM_PARA_UM_ASSASSINO_1326653999PGostei muito mais da arte da capa desse livro do que a do anterior, Réquien para um Assassino (resenha no blog: https://houseofthrillers.wordpress.com/2013/06/15/requien-para-um-assassino-paulo-levy/).  A caneta vertendo sangue me parece excelente metáfora para um romance policial.

Se Réquiem para um assassino já foi uma leitura deliciosa, Morte na Flip é ainda melhor.  Portanto, repito meu comentário, sobre romances policiais nacionais, da resenha passada: Comparando com os autores nacionais do gênero policial da atualidade, só rivaliza, em minha opinião, com o “72 horas para morrer”, de Ricardo Ragazzo.  Dos outros que li, não me agradaram tanto.

Enquanto não vem o terceiro livro, em 2014, vou sentir saudades de Dornelas e de suas manias por chocolate e mingau de farinha Láctea (goró).

Meus trechos preferidos, em que o leitor pode visualizar, claramente, cenas de um futuro filme, com o ator Alexandre Nero como protagonista (minha sugestão):

“Cuidadosamente desembrulhou um quadradinho e colocou-o na boca; e com a língua passou a jogar a massinha que derretia de um lado a outro, como uma bola numa partida de tênis.” – Joaquim Dornelas aproveitando seu vício.

“Tinha fé e confiança de que as pistas colhidas pelo Chagas e pela Dulce o ajudariam a sair da posição desconfortável em que se encontrava, o que significava, até aquele momento, lugar nenhum”. – Joaquim Dornelas, perdidinho da Silva.

“Sabe, doutor, o menino nasceu com os olhinhos mais puxados um pouco e os cabelos bem pretos e escorridinhos. Então eu e meu marido decidimos fazer uma homenagem ao melhor amigo dele, um china que mora perto da gente”. – mãe tentando explicar a Dornelas, o inexplicável

“Naquela manhã, o céu cinza e enrugado caía sobre a terra como uma prensa gigante.  (…) A ilusão de ótica lhe dava a impressão de que chegaria de joelhos até onde estava Faustino.” – Joaquim Dornelas e o céu de Palmyra

“Dornelas comparou o encontro a uma visita a um museu, onde lhe seria permitido apenas apreciar as obras a distância, sem poder tocá-las.” – sobre uma beldade morena suspeita

“A mulher parecia encolher na cadeira. Dez minutos mais daquilo ela estaria apta a voltar para o útero da mãe.” – sobre uma beldade morena suspeita 2

“Dornelas se acendeu como um pinheiro em noite de Natal.” – Joaquim Dornelas recebendo uma informação vital.

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