Arquivo da categoria ‘Agatha Christie’


UMA_DOSE_MORTAL_1301651302Pone two buckle my shoePor que um dentista cometeria um crime no meio de um dia cheio de consultas?

Em Uma dose mortal, um dentista muito respeitado, Dr. Henry Morley, é encontrado morto, em Londres, com uma pistola perto de sua mão direita, no chão.

Sua assistente, Gladys, tinha sido afastada do consultório, com a desculpa de visitar uma tia doente.

Mais tarde, um de seus pacientes, um rico imigrante grego, Mr. Amberiotis, é encontrado morto com uma dose letal de anestésico. Um caso típico de suicídio e assassinato.

Mas, por que um dentista cometeria um crime no meio de um dia cheio de consultas? Poirot não consegue entender, mas, como sempre, usando suas pequenas células cinzentas, ele chega a uma conclusão inacreditável…

Além disso, Mabelle Sainsbury Seale, outra paciente, também desaparece após a morte do dentista. Seu corpo é encontrado logo depois.

E a trama de Uma dose mortal se complica mais adiante, quando Blunt, casado com uma judia de uma família de bancários (obviamente referente aos Rothschilds), também é um paciente do consultório do Dr. Morley, no dia de sua morte. O Inspetor Japp acredita que o próprio Blunt era a vítima em potencial. Poderia ser uma conspiração internacional voltada contra uma importante família européia, ligada ao governo britânico?

Howard Raikes, amante de Jane Olivera (sobrinha e herdeira de Blunt), e Frank Carter, um jovem de péssima reputação, são os suspeitos dos crimes.

Mas para o atento Hercule Poirot o caso começa, na realidade, com algo muito simples: um sapato… um sapato feminino de couro preto, com uma fivela grande…

Uma dose mortal é um thriller clássico baseado no sistema de classes britânico, porém, não muito violento quanto os que temos lido hoje em dia. No entanto, as muitas pistas verdadeiras e falsas, que são descritas durante o texto, fazem com que o final seja uma grande surpresa, numa espiral de eventos que fazem o leitor voltar no livro, várias vezes, para poder entender perfeitamente.

É interessante que um tema tão simples (o aparente suicídio de um dentista) possa ter tantos motivos por trás.

Como muitos dos livros de Agatha Christie, Uma dose mortal, com seu título em inglês, One, two, buckle my shoe, este se baseia numa rima infantil. Os elementos da trama e algumas das pistas se adequam perfeitamente a rimas. Além disso, uma menção a um filme de Fred Astaire e Ginger Rogers, torna o texto meio que datado.

Uma dica: se o amigo leitor gosta de criminosos obscuros e perigosos, com passados suspeitos, não leia One, two, buckle my shoe. Você pode acabar se identificando com o criminoso, e ficar querendo que o famoso detetive Hercule Poirot e o Inspetor Japp, encontrem a ligação entre os crimes e o livrem da acusação.

Um bônus para os leitores fãs de Poirot: no início do texto de One, two, buckle my shoe, o encontramos muito nervoso – coisa que não é normal em nosso amigo detetive belga – ele tem uma consulta no consultório do tal dentista, que visita regularmente, de 6 em 6 meses.

Quer ler mais resenhas de livros de Agatha Christie? https://houseofthrillers.wordpress.com/category/agatha-christie/ .

Trailer do filme para televisão baseado no livro, estrelando David Suchet como Hercule Poirot:


e noeTodas as paixões que levam ao assassinato – inveja, ciúme, ganãncia, amor, ódio – são, aparentemente, atemporais.

Publicado em 1944, E no final a morte é uma das únicas estórias da autora que não se passa no século XX e, sim, no Egito antigo.

E no final a morte talvez seja a estória em que a autora melhor descreve os sentimentos dos personagens e sua relação com o modus vivendi naquele contexto.

There´s no reason why a detective story shouldn´t be just as easy to place in ancient Egypt as in 1943 in England. People are the same in whatever century they live, or where.” – Agatha Christie

Com a trama inspirada em cartas recentemente publicadas, de um sacerdote de Ka, da 11a Dinastia, E no final a morte trata-se de uma família em que os filhos maiores, já casados e com filhos, trabalham com o pai em suas terras.

O filho mais novo de Imhotep, adolescente, quer se envolver nas atividades profissionais e ser tratado como adulto, em 2000 a.C.. A filha, recentemente viúva, retorna para viver com a família, trazendo consigo sua filha. Vive com o grupo, também, a mãe do dono da casa, meio cega mas muito sábia. A rotina das suas vidas muda quando o pai traz para viver com eles a sua concubina, pessoa maldosa, que se diverte em formar intrigas. Fatalmente, a concubina é assassinada, seguindo-se depois outras mortes, que fazem suspeitar de fenómenos sobrenaturais.

Agatha Christie muda completamente o compasso e leva o leitor ao Egito antigo – mas todas as paixões que levam ao assassinato – inveja, ciúme, ganãncia, amor, ódio – são, aparentemente, atemporais. Tanto a trama quanto o final, são brilhantes e satisfatórios, como em todos os seus romances.

As pesquisas de Christie são incansáveis e ela consegue nos trazer os detalhes exatos – tipos de moradia, de alimentação, vestuário – da vida no Egito antigo, inspirada pelo trabalho com seu marido, o arqueólogo Max Mallowan.

O amigo leitor não terminará o livro, tornando-se um especialista em egiptologia – mas terá passado bons momentos de entretenimento.


Editora: Nova Fronteira

Nunca um salto alto de sapato foi tão importante como pista de um assassinato…

                        Hercule Poirot estava estudando os clássicos de mistério e seu conhecimento o ajuda a solucionar este caso em particular.

Colin Lamb, um jovem biólogo marinho e agente da Inteligência Britânica estava visitando Willbraham Crescent, quando uma jovem surge correndo de uma das casas, gritando ter encontrado um morto.

Como havia sido instruída, a estenografa Sheila Webb entrou na casa 19 em Willbraham Crescent, e fez uma terrível descoberta: o corpo de um homem jogado no chão da sala de estar, da casa de uma senhora cega.

Colin leva o problema ao amigo de seu pai, o detetive belga Hercule Poirot, que considera o caso como simples.

O que mais intrigou Poirot nesse caso, foi o fator tempo.  Apesar de estar em choque, Sheila lembrava-se de ter ouvido um relógio cuco bater três horas.  Mas os outros quatro relógios da sala mostravam 4:15hs.

Mais estranho ainda, era o fato de que somente um desses relógios pertencia ao dono da casa. (mais…)


Editora: Nova Fronteira

                      Você é feliz?  Se não é, consulte Mr. Parker Pyne.

 “Você é feliz?  Se não é, consulte Mr. Parker Pyne, Rua Richmond 17.   Fico no lugar do médico… mas… se me dedicar a um caso, a cura é praticamente garantida.”  – Parker Pyne

Pyne passou 35 anos de sua vida compilando estatísticas num escritório do governo.  Depois da aposentadoria, decidiu usar sua experiência:

“A infelicidade pode ser classificada sob cinco títulos principais. Uma vez conhecida a causa da moléstia, o remédio não deve ser impossível.” 

Pyne é um homem corpulento, sem ser gordo, calvo, olhos brilhantes por trás de lentes grossas.  Inspira confiança.  Sempre se vangloria de fazer as pessoas felizes ou devolve o dinheiro.

Este livro é uma coletânea de contos protagonizados pelo especialista em corações partidos, Parker Pyne.

Adepto de remendar esses corações ou, quem sabe, os fragmentos de um mistério de assassinato, Pyne é, possivelmente, o mais estranho detetive particular – e, certamente, o mais charmoso. (mais…)


Editora: Nova Fronteira

Por conta da relativa simplicidade das tramas, alguns leitores podem achar que as estórias são tolas – até prestarem atenção nas pistas.

                                    A aventura do pudim de Natal, de acordo com as próprias palavras da escritora, registra os Natais agradáveis que passou na casa de seu cunhado (Abney Hall), no norte da Inglaterra.

            Agatha Christie era encantada pela enorme casa de campo de seu cunhado – e os natais incluíam meias cheias de doces pela manhã, missa na igreja com canções de Natal, uma ceia muito farta, presentes – e, ao final, acender as luzes da árvore de Natal.

Mesmo já mais velha, essa era uma lembrança maravilhosa – e dedicou esse livro ao seu anfitrião.

Por conta da relativa simplicidade das tramas, alguns leitores podem achar que as estórias são tolas – até prestarem atenção nas pistas.

As seis estórias são longas o bastante para serem melhores descritas como romances, com cinco protagonizadas por Hercule Poirot e a outra, por Miss Marple.

São os contos:

  • The Adventure of the Christmas Pudding
  • The Mystery of the Spanish Chest
  • The Under Dog
  • Four and Twenty Blackbirds
  • The Dream
  • Greenshaw’s Folly (mais…)