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MORTE_NA_FLIP_1375367241PUm livro que tem a capacidade de fazer com que nos envolvamos com a vida do protagonista, e nos tornemos amigo dele.

                        No segundo romance policial do escritor Paulo Levy, o delegado Joaquim Dornelas usa, mais uma vez, seu faro policial, para desvendar mais um complicado crime, com a ajuda de sua equipe de investigadores (Solano, Caparrós, Peixoto), cuja participação foi bem ampliada.

Voltando para casa em Palmyra, tarde da noite, Dornelas tem a sensação de que está acontecendo ou vai acontecer algo de errado num barco suspeito, que invade o mar.

Dito e feito, ocorre a morte violenta de uma autora mundialmente conhecida, durante o período da FLIP, um dos eventos literários mais famosos do mundo.

Gytha Svensson (ou Geórgia Summers) é escritora de romances de banca melados, com estórias de paixões ardentes e sonhos impossíveis, com títulos como: Paixão no Olimpo; era uma das principais atrações estrangeiras da FLIP; e foi morta com vários golpes de uma arma ainda não identificada.

É também encontrado o corpo do marinheiro do tal barco suspeito, aparentemente, vítima de um acidente.

Assim se desenvolve a trama de Morte na FLIP – um livro que tem a capacidade de fazer com que nos envolvamos com a vida do protagonista, e nos tornemos amigo dele, a ponto de torcermos por seu romance com a legista-chefe do Instituto Médico Legal da região, Dulce Neves, que vai muito bem, obrigado.

Desde o Crime do Mangue, Dornelas havia se transformado numa celebridade na cidade.  É homem, pai, delegado, amante, ex-marido, dono do cachorrinho Lupi, e ser humano. Cheio de atitudes, manias, erros, problemas, equilíbrio e emoção, sua caracterização é extremamente real, e leva o leitor a seu dia-a-dia, na dose certa. (mais…)

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REQUIEM_PARA_UM_ASSASSINO_1326653999PPena a leitura ser rápida, porque não dá para largar o livro até o final da estória.

                        “- E a policia militar, vai demorar? É preciso segurar essa multidão.
– Devem chegar logo. Já chamei a perícia e o IML, mas acho que eles não vão poder fazer muita coisa com a maré seca desse jeito.
– Eles vão demorar umas boas horas para chegar aqui. Se a maré subir, vamos perder algum rastro ou marca de como o corpo chegou até lá – disse o delegado apontando para as poças de água suja com natas fruta-cor. – Quanto tempo para os bombeiros?
– Meia hora, uma hora. Depende da papelada.
– Não vai dar tempo. A maré já esta subindo. (trecho da contracapa)

E assim começa a trama!

Uma manhã, na cidade histórica turística à beira-mar, de Palmyra (claramente identificável com Parati), Rio de Janeiro, o delegado Joaquim Dornelas, a caminho da delegacia, se depara com uma multidão observando um corpo de homem atolado na lama, sem sinais de violência – apenas um band-aid na dobra interna do braço esquerdo – e sem identificação.

O delegado Dornelas é um cara comum e humano – amante de uma cachacinha de vez em quando e viciado em novelas e em goró (mingau de farinha láctea – receita no livro), cuida de um cachorrinho e administra uma diarista.  É um policial brasileiro das antigas – que se envolve completamente nos casos que investiga, em busca da verdade – doa a que doer.

E, no momento, ele sofre as dores do abandono da mulher, por conta de sua profissão, e da separação dos dois filhos adolescentes, que estão morando no Rio de Janeiro.

Logo surgem duas testemunhas improváveis (a prostituta gostosona Maria das Graças, irmã do morto; e o vereador escorregadio Nildo Borges) para dar uma luz ou atrapalhar as investigações (depende da visão do leitor), que forma uma teia de grandes dimensões, envolvendo tráfico de drogas, prostituição, o comércio local, a indústria do turismo, a comunidade de pescadores, interesses econômicos, políticos, e românticos – um verdadeiro vespeiro. (mais…)