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Editora: Nova Fronteira

Não pare para pensar: “Eu não estou entendendo, vou parar de ler.”  – não!  Termine o livro!

Um bestseller na época da 1a edição e agora, um clássico, O nome da Rosa levou Umberto Eco, um filósofo e professor italiano de semiótica, a ser um escritor de fama internacional.

Um thriller de assassinato, num monastério do século XIV, é uma estória misteriosa e uma brilhante exploração de filosofia, história, teologia e lógica, medievais.

Em 1327, o irmão William of Baskerville é enviado para investigar uma rica abadia franciscana, na Itália, cujos monges são suspeitos de heresia.

Mas sua missão é adiada, por conta de várias mortes bizarras, com base no Livro das Revelações; e o irmão William é transformado em detetive, juntamente com o jovem narrador Adso of Elk, como Sherlock Holmes e Dr. Watson, tendo de seguir a trilha de conspiração que o leva face-a-face dos os secretos labirintos da biblioteca da abadia, os efeitos subversivos do riso, e a Santa Inquisição.

Em meio a uma luta poderosa entre o imperador e o papa, o irmão William começa a ver que a questão ultrapassa a disputa política – e que sua investigação está sendo impedida de ir em frente, por aqueles que temem a imaginção, a curiosidade, e o poder das idéias.

O nome da Rosa oferece ao leitor, um mistério engenhosamente construído – completo, com símbolos secretos e manuscritos codificados – e um retrato sem paralelos, do mundo medieval, no momento de uma profunda transformação e tensão entre o papado e o Império Católico Romano.

Também inclui debates sobre tópicos como a pobreza de Cristo, e a história da Igreja Católica, até o estabelecimento do papado em Avignon, na França.

Sobre o significado da famosa frase em latim: Stat rosa pristina nomine, nomina nuda tenemus” – literalmente, ela pode ser traduzida como: “A rosa antiga sobrevive graças a seu nome, nós só temos nomes.”

Esta é uma frase sempre escolhida pelos filósofos da Idade Média que pensavam que nossas mentes não eram capazes de descobrir a verdadeira essência das coisas e, portanto, não podíamos ter a mínima idéia de Deus.

De fato, na filosofia medieval, Deus era sempre comparado a uma rosa; dizendo com a tal frase, que até mesmo o ser supremo, persiste somente através de seu nome, persiste através de uma coisa extremamente frágil.  Nomes eram vistos, na época, simplesmente como emissão de voz, sem valor nenhum.  Esses filósofos foram condenados como hereges.

No livro, a frase possui, também, o significado do amor do jovem monge Adso.  Ele conhece no monastério, uma jovem e se apaixona por ela.  Na sua cabeça ela é a Rosa, a deusa da qual ele não sabe o nome (eles falam línguas diferentes).

Cada personagem no livro, representa um conceito metafórico: William, a razão; Adso, o misticismo – um contra o outro, como forças opostas.  William diz a Adso que muitas hipóteses, apesar de parecerem falsas, podem levar à solução correta.

O nome da Rosa é um livro sobre a incerteza da verdade – a busca pela verdade é muito ambígua.  E essa certeza da verdade permanece uma impossibilidade, quando William diz “A única verdade está e aprendermos a nos libertar da insana paixão da verdade.”

Reza a lenda que se você ler algum livro de Umberto Eco, seu QI aumenta, instantaneamente.  O nome da Rosa foi meu segundo encontro com o escritor: o primeiro, sendo o excelente O pêndulo de Foucault (resenha no blog: https://houseofthrillers.wordpress.com/2011/10/15/o-pendulo-de-foucault-foucaults-pendulum-umberto-eco/ ).

Como já havia dito, antes, nesta resenha acima citada, a linguagem é muito densa, sim; mas com toques de saboroso prazer intelectual – uma jóia genuína.  No começo você pode achar que não está entendendo nada – não importa – continue.  Umberto Eco planejou exatamente isso!  Aproveite o livro e passe por cima de pequenos detalhes e datas – absorva o conjunto da obra.  Você terá bastante tempo para pensar sobre tudo isso depois de ter terminado.  Não pare para pensar: “Eu não estou entendendo, vou parar de ler.”  – não! Termine o livro!

Umberto Eco escreve dessa maneira – os livros dele são apena para os fortes de espírito – pessoas com perseverança e que lutam para conseguir o que poucos conseguem.  Seus livros são deliberadamente criptografados – são para os fortes que permanecem no campo de batalha, recebendo, ao fim, a recompensa, como pétalas de rosas.

O próprio Umberto Eco admitiu que incluiu as primeiras 100 páginas de pura história em O nome da Rosa, para desencorajar os leitores que não possuíssem a tenacidade necessária para continuar o livro.

Os livros de Umberto Eco são como uma coleção de caixas – cada uma abrindo para revelar outra e outra mais.

Este livro é a verdadeira literatura, um clássico atemporal a ser degustado por muitas gerações que vierem.

 

O amigo e skoober Marcos Bassini, também resenhou o livro em 12/01/2009 – O nome do livro – Maior que o mistério que já se prenuncia no nome do livro é o de saber como alguém conseguiu fazer um livro policial com tanta erudição e acuidade histórica sem se descuidar por um só segundo do estilo.

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Umberto Eco (1932) é um escritor, filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo italiano de fama internacional. É e diretor da Escola Superior de ciências humanas na Universidade de Bolonha.  Ensinou em Yale, e em Harvard.  Eco é, ainda, notório escritor de romances, entre os quais O nome da Rosa e O pêndulo de Foucault.

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                 Editora: Record

“O melhor dos thrillers é aquele em que o próprio leitor é o assassino!” – Umberto Eco

                      Umberto Eco, neste O Pêndulo de Foucault, lançou a premissa literária da conspiração religiosa complexa, com uma seita secreta – popularizada com o Código da Vinci de Dan Brown.

Até o advento de Dan Brown, Umberto Eco e seu Pêndulo de Foucault, foi, durante anos, um símbolo de intelectualidade a ser ostentado em mãos, em reuniões importantes.

O Pêndulo de Foucault

Um Pêndulo de Foucault, assim chamado em referência ao físico francês Jean Bernard Léon Foucault, é uma experiência concebida para demonstrar a rotação da Terra, em relação a um referencial, bem como a existência da força de Coriolis.  A primeira demonstração data de 1851, quando um pêndulo foi fixado ao teto do Panthéon de Paris. A originalidade do pêndulo reside no fato de ter liberdade de oscilação em qualquer direção, ou seja, o plano pendular não é fixo. A rotação do plano pendular é devida (e prova) a rotação da Terra. A velocidade e a direção de rotação do plano pendular permitem igualmente determinar a latitude do local da experiência sem nenhuma observação astronômica exterior. (mais…)